Premium Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.

O sistema democrático teve o seu ataque instrumental claro quando a propaganda eleitoral adotou o que foi chamado, por célebres analistas, o Estado espetáculo, com os comícios organizados pelo modelo teatral, com a mise en scene a procurar a prise en charge do auditório. O mito agravou-se com o desenvolvimento das "redes sociais", que impuseram a "desidentificação" dos candidatos fazendo circular uma imagem favorável ou desfavorável mas retocada, cujo efeito mais evidente e degradante foi o de tornar regra a "falta de autenticidade", com a surpresa de o exercício vir a corresponder à realidade desvendada, e não à imagem que foi votada.

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Ricardo Paes Mamede

Foi Centeno quem fez descer os juros?

Há dias a agência de notação Standard & Poor's (S&P) subiu o rating de Portugal, levando os juros sobre a dívida pública para os níveis mais baixos de sempre. No mesmo dia, o ministro das Finanças realçava o impacto que as melhorias do rating da República têm vindo a ter nas contas públicas nacionais. A reacção rápida de Centeno teve o propósito óbvio de associar a subida do rating e a descida dos juros às opções de finanças públicas do seu governo. Será justo fazê-lo?