O Falcão e o Soldado de Inverno. "Nos estúdios Marvel somos todos fãs"

O DN esteve numa conferência virtual com Anthony Mackie e Sebastian Stan, heróis de O Falcão e o Soldado de Inverno, a série da Marvel que se estreia no dia 19.

Mais do que em WandaVision, a primeira série da Marvel a estrear na Disney +, o MCU (Marvel Cinematic Universe) conta neste segundo esforço televisivo com o conhecimento e a benevolência dos fãs. O Falcão e o Soldado do Inverno são seis horas de puro presente para os fãs de Avengers. Quem não estiver por dentro das reviravoltas, dos acontecimentos e das personagens após Vingadores - Endgame, pode esquecer ter vida fácil para apanhar o fio à meada. Mas neste encontro virtual com a imprensa internacional, o chefe da Marvel, Kevin Feige, vai direto ao assunto e não esconde a cultura fã: "Nos estúdios Marvel somos todos fãs."

Neste spin-off com dois dos super-heróis da Marvel, Sam Wilson - O Falcão - e Bucky Barnes - Soldado do Inverno -, estamos num mundo pós-batalha final dos Vingadores, onde a ordem mundial está a ser posta em causa com os milhares de milhões de pessoas que voltaram depois de resolvido o problema com o blip, o tal apagão criado pelo supervilão Thanos. Nos EUA, a equipa dos Vingadores segue por caminhos diferentes e Falcão ainda gere a perda do Capitão América, ele que lhe delegou o famoso escudo. Por seu turno, Bucky Barnes está a sofrer de problemas de trauma pós-guerra, perturbações psicológicas que o obrigam a frequentar uma implacável psiquiatra. Devido a uma nova ameaça global terrorista, estes dois super-heróis são obrigados a unir esforços e a testar a sua paciência um com o outro, já para não falar que as autoridades anunciam um novo Capitão América.

"Depois de o público ter ficado sem Iron Man, temos agora a responsabilidade de mostrar mais destas personagens cujos percursos foram sendo trabalhados ao longo destes últimos dez anos", começa por dizer Anthony Mackie, o ator que dá vida a Falcão. As palavras do ator afro-americano nesta conferência são misturadas entre o humor e a prudência para não revelar spoilers, sobretudo porque o patrão Kevin Feige está mesmo por cima, num quadradinho de imagem, sempre atento. Na verdade, esta série foi pensada para estrear antes de WandaVision, ou seja, ter o carácter de introdução a esta nova fase da Marvel em formato de série (só não aconteceu devido aos efeitos visuais e à covid-19 ter atrasado tudo...). A prudência de Mackie tem também explicação nesse contexto de "novidade" ou mesmo de pioneirismo. Mas a questão dos spoilers é cada vez mais escrutinada e, no caso desta série, tudo o que seja revelação de novas personagens ou factos do guião é tratado ao nível do segredo de Estado, sobretudo porque os episódios são disponibilizados semanalmente.

"Desta vez, é bom termos mais espaço para desenvolver as personagens, e aí esta série é diferente, mesmo quando não perde a qualidade cinematográfica", prossegue Mackie, que se mostra entusiasmado com a cena de arranque do primeiro episódio: uma perseguição pelos céus de Falcão a tentar recuperar um soldado americano raptado por vilões franceses. Trata-se de uma sequência que poderia fazer parte de um filme da Marvel, nota-se que não se poupou na escala. "A série também fala do problema da desordem psicológica que os soldados veteranos têm, e é isso que aproxima o Falcão e a minha personagem. São dois soldados que têm opiniões distintas mas que respeitam os mesmos códigos de honra. O respeito é mútuo...", refere também Sebastian Stan, que surge neste encontro já com o visual que supostamente terá no próximo filme de Brady Cobert, onde contracena com Marion Cotillard.

Se é verdade que muitos vão ficar espantados com uma toada mais realista da história e em que se abordam as questões financeiras dos super-heróis e problemas familiares, Kevin Feige vai dizendo que tudo pode acontecer nestas séries: "Nós baseamo-nos sempre naquilo que os livros de BD apontam. Mas há muitos universos a serem cruzados, muitas personagens diferentes, e até pode acontecer a Terra ser dividida em dois planetas. Aliás, spoiler: no último episódio isso vai acontecer."

Soltam-se gargalhadas dos atores. Feige está a brincar mas todos sabem que há audácia no desenvolvimentos dos acontecimentos, bastando ver o que aconteceu recentemente no último episódio de WandaVision. Os fãs exigem alguma excentricidade nos twists. E nessa cultura do "público fã" há que fazer as vontades, mesmo quando a quente há divisões e contestações. Mais do que nunca, a estratégia de Feige como diretor artístico deste universo é zelar pelo fã, mesmo que se perca o espectador comum menos familiarizado pela cultura da banda desenhada. Dir-se-ia que é uma opção de negócio...

No fim da conferência, Kevin Feige dá um recado aos fãs: as histórias deste universo de super-heróis vão continuar a poder ser vistas em cinema e em televisão, via Disney +, mas a fluidez das narrativas será posta em prática de forma simultânea. Na verdade, é uma estratégia que obriga os fãs Marvel a terem de ver tudo: os filmes e as séries. O Marvel Cinematic Universe liga tudo... Talvez por isso, o muito sorridente Anthony Mackie peça uma cunha a Kevin Feige: quer entrar na série She-Hulk: "Nem que seja num cameo."

dnot@dn.pt

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