Aconteceu em 1972 - Quando a ONU tirou o tapete ao colonialismo português

A capital etíope, Adis Abeba, acolheu em fevereiro de 1972 uma reunião do Conselho de Segurança da ONU - uma das suas raras reuniões fora de Nova Iorque. E Portugal detestou as conclusões, como dava conta o DN de 10 de fevereiro de 1972.

A resolução 312 do Conselho de Segurança da ONU foi aprovada a 4 de fevereiro de 1972, em Adis Abeba, com nove votos a favor (URSS, China, Guiné-Conacri, Índia, Itália, Panamá, Somália, Sudão e Jugoslávia) e seis abstenções (Argentina, Bélgica, França, Itália, Reino Unido e EUA).

Nela apelava-se a Portugal para que reconhecesse "imediatamente o direito dos povos de suas colónias à autodeterminação", que "cessasse todos os atos de repressão contra os povos de Angola, Moçambique e da Guiné-Bissau", que "retirasse as suas forças armadas daquelas áreas", que "promulgasse uma amnistia política incondicional" e transferisse o poder para instituições representativas nativas livremente eleitas.

Mas, mais do que isso, o Conselho apelou a todas as nações do mundo para que se abstivessem de providenciar ao Estado português assistência militar para prosseguir a guerra colonial.

Foi a essa resolução - obtida numa reunião em que Amílcar Cabral, líder do PAIGC, o movimento independentista da Guiné-Bissau, fora convidado para discursar - que o governo português reagiu com fúria. Já nem velhos aliados como o Reino Unido ou os EUA votavam ao lado de Portugal.

Disso deu conta a edição de 10 de fevereiro de 1972 do DN, publicando, em manchete, declarações do então ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Patrício, que justificou a aprovação da resolução com o peso no Conselho de Segurança de uma "maioria comunista" (referência aos votos favoráveis da China e da URSS, entre outros).

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