Da autora de policiais à antieuropeísta: os 5 noruegueses que escolhem o Nobel da Paz

O Comité Norueguês do Nobel, a equipa que decide quem é a pessoa ou instituição a receber o galardão, é composta por uma autora de policiais, um filósofo, uma antieuropeísta, um polémico ex-primeiro-ministro e um académico estreante.

É assim todos os anos, desde 1901. Por vontade de Alfred Nobel, cabe a uma equipa de "cinco pessoas, eleitas pelo Storting [parlamento norueguês], a escolha do laureado que se distinguiu pelos esforços da paz.

Mais tarde, foi definido que os membros do Comité Norueguês do Nobel são eleitos para um mandato renovável de seis anos e que não podem pertencer ao governo ou ao Storting, como foi prática nas primeiras décadas.

Milhares de pessoas de todo o mundo podem contribuir com uma proposta de nomeação para o Prémio Nobel da Paz, um número restrito faz o aconselhamento e, no fim de contas, cinco noruegueses tomam a decisão.

À mesa da sala de reuniões senta-se um sexto elemento, o secretário, que é o presidente do Instituto Norueguês do Nobel. Olav Njolstad assumiu funções em 2015.

A presidência cabe a Berit Reiss-Andersen, de 64 anos. A terceira mulher no cargo é advogada e coautora de dois policiais, juntamente com Anne Holt. Entre 1996 e 1997, as duas mulheres fizeram parte do governo do trabalhista Thorbjorn Jagland: Holt como ministra da Justiça, Reiss-Andersen como secretária de Estado da mesma pasta.

Berit Reiss-Andersen reencontrou Thorbjorn Jagland no Comité Norueguês do Nobel. O político, que é também secretário-geral do Conselho da Europa, teve uma passagem breve pelo poder, após ter sido líder dos trabalhistas. Jagland foi ainda ministro dos Negócios Estrangeiros de um governo liderado por Jens Stoltenberg, atual secretário-geral da NATO.

Jagland rejeitou publicamente a ideia de Donald Trump ser agraciado com o Nobel da Paz. Perante a separação das crianças dos pais imigrantes à entrada dos EUA, Jagland afirmou que o presidente norte-americano "já não é o líder moral do seu país nem do mundo".

Anne Enger, de 68 anos, também desempenhou funções governamentais. Foi primeira-ministra durante três semanas, quando lhe coube a tarefa de substituir o primeiro-ministro Bondevik, que esteve ausente por doença. Mais tempo teve a pasta da Cultura: foi ministra entre 1997 e 1999. Anos antes, como líder do Partido do Centro, foi a figura de proa do movimento contra a adesão à então Comunidade Económica Europeia. No referendo de 1994, 52% dos noruegueses rejeitaram a proposta.

Henrik Syse, de 52 anos, é filósofo, escritor e professor. É investigador e professor nos temas da paz e da resolução de conflitos em duas instituições em Oslo.

O estreante no Comité é Asle Toje, de 43 anos. Comentador e autor de livros sobre relações internacionais, foi diretor do centro de estudos do Instituto do Nobel, e representa a ala conservadora do parlamento. É defensor de relações próximas com os Estados Unidos.

Neste ano o Comité recebeu 331 candidaturas referentes a 216 pessoas e 115 organizações. Um número apenas ultrapassado em 2016, quando houve 376 nomeados.

As candidaturas são recebidas até ao último dia de janeiro. Na primeira reunião, o Comité pode acrescentar nomes à lista e durante fevereiro e março faz uma primeira triagem, reduzindo a lista a duas a três dezenas de nomes.

Depois, um grupo de conselheiros - por norma professores universitários noruegueses - prepara relatórios sobre as pessoas e instituições em causa. Não é incomum ser pedida informação adicional a peritos estrangeiros. Este processo dura até março.

É já no princípio de outubro que o Comité chega a uma decisão. Faz parte da tradição tentar chegar a consenso, mas quando tal é impossível ganha a maioria.

Quem pode recomendar um Nobel

Não é qualquer cidadão que pode propor uma nomeação ao Comité Norueguês do Nobel, mas ainda é um número significativo de pessoas que o pode fazer.

Segundo os estatutos da Fundação Nobel estão habilitados para o fazer laureados com o Prémio Nobel da Paz ou membros da direção de instituições que tenham sido distinguidas; antigos conselheiros do Comité; chefes de Estado, ministros e deputados de parlamentos nacionais; professores, diretores e reitores de universidades nas áreas de história, ciências sociais, direito, filosofia e teologia; diretores de institutos de relações internacionais ou de investigação sobre a paz; e atuais e antigos membros do Comité.

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