Premium "Acredito mesmo que, se a NATO não existisse, tinha de ser criada agora"

Entrevista ao almirante Silva Ribeiro, chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, no dia em que a Aliança Atlântica celebra 70 anos e os chefes da diplomacia dos 29 países membros se reúnem em Washington. Portugal foi um dos 12 fundadores e, afirma o CEMGFA, beneficiou desde o início da aliança para modernizar o seu aparelho militar. Identifica Rússia e jihadismo como ameaças e diz que a China é um desafio emergente.

Setenta anos após a fundação e 30 anos depois da queda do Muro de Berlim, que marcou o fim da Guerra Fria, ainda faz sentido haver uma aliança militar chamada NATO?
Faz todo o sentido e acredito mesmo que, se a NATO não existisse, tinha de ser criada agora. A NATO já passou por diferentes situações e grandes momentos de mudança - lembremos a crise do Suez em 1956, a saída da França da estrutura militar, depois a discussão sobre as armas nucleares, a queda do Muro de Berlim, em que toda a gente se interrogava sobre o que é que iria acontecer à NATO. Tivemos o privilégio de ter grandes líderes mundiais, que conseguiram encontrar uma ideia mobilizadora da NATO: "Todos juntos em democracia, em paz e em liberdade." E foi essa ideia que agarrou a NATO para este período pós-Guerra Fria. Devemos isso ao presidente Bush pai, ao chanceler Kohl, ao presidente Mitterrand e à primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher. Em 2014, surgiram dois problemas fundamentais com os quais lidamos hoje: a invasão da Crimeia e parte leste da Ucrânia pela Rússia, e também o Estado Islâmico nas fronteiras da NATO, que teve como consequências o aparecimento e recrudescimento da guerra na Síria, a intensificação dos ataques terroristas na Europa... Enfim, um conjunto de circunstâncias que levaram a que a NATO tivesse de se reestruturar e empenhar deliberadamente naquilo que é o seu propósito fundamental e perene desde a sua constituição: manter a paz na Europa. Beneficiámos, de facto, de 70 anos de paz que permitiram os níveis de progresso e de bem-estar em que vivemos. Sem isso não teríamos essas condições.

Em 2014, surgiram dois problemas fundamentais com os quais lidamos hoje: a invasão da Crimeia e parte leste da Ucrânia pela Rússia, e também o Estado Islâmico nas fronteiras da NATO

Ler mais

Exclusivos

Premium

Liderança

Jill Ader: "As mulheres são mais propensas a minimizarem-se"

Jill Ader é a nova chairwoman da Egon Zehnder, a primeira mulher no cargo e a única numa grande empresa de busca de talentos e recursos. Tem, por isso, um ponto de vista extraordinário sobre o mundo - líderes, negócios, política e mulheres. Esteve em Portugal para um evento da companhia. E mostrou-o.