A presidente da Comissão Europeia vincou esta quarta-feira, 4, que “a urgência é clara para todos” quanto à melhoria da competitividade económica da União Europeia (UE), num contexto de tensões geopolíticas e concorrência face aos concorrentes China e Estados Unidos.“Num mundo de concorrência intensa e horizontes curtos, estamos a construir a competitividade da Europa. Tudo começa com força em casa com emprego e crescimento na Europa e com regras mais simples para as nossas empresas e cidadãos. Estende-se através da nossa rede cada vez maior de parceiros comerciais de confiança”, escreveu Ursula von der Leyen, numa publicação na rede social X.No dia em que a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, participa na cidade belga de Lovaina num seminário do colégio de comissários da Comissão Europeia dedicado à agenda de competitividade da Europa, que será debatida pelos líderes da UE na próxima semana, a presidente da Comissão Europeia vincou: “A urgência é clara para todos nós”.“Aguardo a discussão de hoje. Este trabalho continuará com os líderes da UE a 12 de fevereiro”, adiantou Ursula von der Leyen.O presidente do Conselho Europeu, António Costa, convidou os líderes da UE para um segundo retiro informal, agora dedicado à competitividade, a realizar no próximo dia 12 de fevereiro num castelo histórico fora de Bruxelas.O encontro informal de alto nível da próxima semana será dedicado ao reforço do mercado único da UE num novo contexto geoeconómico.A uma semana do evento, a presidente da Comissão Europeia convidou hoje a diretora-geral do FMI para discutir o avanço da agenda europeia de competitividade, assente no reforço do crescimento económico para garantir a independência da Europa.Perante o agravamento das tensões geopolíticas e a crescente rivalidade económica entre os Estados Unidos e a China, a UE enfrenta a necessidade urgente de reforçar a sua competitividade para preservar a sua autonomia estratégica.Num contexto marcado por cadeias de valor mais fragmentadas, políticas industriais competitivas, corrida global à inovação, além de tensões comerciais, a UE tem de acelerar o crescimento, investir mais em tecnologia e indústria, apostar no mercado único e reduzir entraves regulatórios, garantindo padrões sociais e ambientais.Para isso, Bruxelas está a avançar com medidas como pacotes de simplificação da legislação (omnibus), apoios comunitários à inovação, iniciativas para rentabilizar as poupanças, diminuir os entraves regulatórios e a reforçar laços comerciais com outros territórios.A ideia é combater a falta de investimento e de inovação na UE, diversificar o fornecimento energético para obter preços mais baixos e reforçar a resiliência e segurança económicas.Passou um ano e meio desde que, em setembro de 2024, o antigo presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi divulgou o seu relatório sobre o futuro da competitividade europeia, no qual revelou ser necessário um investimento adicional anual mínimo de 750 a 800 mil milhões de euros, o correspondente a 4,4-4,7% do PIB comunitário em 2023.As três grandes transformações sugeridas por Mario Draghi incidiam em acelerar a inovação e encontrar novos motores de crescimento, apostar na descarbonização e em reduzir os elevados preços da energia e ainda em reduzir dependências dadas as tensões geopolíticas.O também antigo primeiro-ministro italiano Enrico Letta propôs, num outro relatório divulgado em abril de 2024, dívida conjunta com planos de reembolsos claros, empréstimos em condições favoráveis e apoio do Banco Europeu de Investimento para financiar o investimento da UE em segurança e defesa..Von der Leyen: Acordo do Mercosul é uma declaração de escolha do “comércio justo em vez de tarifas”