TVI contratou Cristina Ferreira mas ações da Media Capital caíram mais de 9%

As ações da Media Capital caíram 9,40% na sessão desta segunda-feira, enquanto as da Impresa ficaram inalteradas, depois de na sexta-feira ter sido anunciada a saída de Cristina Ferreira da SIC para a TVI.

No fim das negociações, as ações da Media Capital fecharam a desvalorizar 9,40% para 2,12 euros, numa sessão em que trocaram de mãos cerca de 4.000 ações. Esta foi para já a reação dos investidores no primeiro dia de negociação em bolsa após o anúncio da saída da apresentadora Cristina Ferreira da SIC.

A Impresa, que chegou a perder 4% na abertura do mercado, encerrou a negociação em bolsa inalterada nos 0,14 euros, tendo sido transacionadas 198 mil ações.

A apresentadora Cristina Ferreira vai regressar à TVI em setembro como diretora de entretenimento e ficção, tendo manifestado interesse junto da Prisa, dona da Media Capital, em comprar uma participação no capital social da dona da estação.

A notícia, que foi avançada na sexta-feira já após o fecho da bolsa, surpreendeu o mercado, uma vez que a apresentadora tinha contrato com a SIC até 2022.

Com a cessação unilateral do contrato com a SIC, Cristina Ferreira deverá ter de ressarcir o canal em, pelo menos, quatro milhões de euros, de acordo com fonte ligada ao processo. Daquele montante, dois milhões de euros correspondem ao salário.

"Neste momento de saída, não posso deixar de agradecer à SIC, à sua Administração, a oportunidade que me foi concedida e a possibilidade de trabalhar com profissionais de excepção. O meu muito obrigada a todos. A SIC é uma estação de televisão de referência, onde fui muito bem acolhida e para a qual formulo votos de maior sucesso profissional para o futuro", referiu Cristina Ferreira na sexta-feira, depois de conhecida a notícia da mudança.

As ações da Cofina, que afirma manter o interesse na dona da TVI, caíram hoje 2,62% para 0,26 euros, numa sessão em que trocaram de 'mãos' mais de 33 mil títulos.

Há cerca de dois meses, mais concretamente em 14 de maio, o empresário Mário Ferreira comprou 30,22% da Media Capital, através da Pluris Investments, numa operação realizada por meio da transferência em bloco das ações por 10,5 milhões de euros.

Regulador dos media está a analisar mudanças na estrutura da TVI

O regulador dos media ERC está a analisar as mudanças na estrutura acionista da TVI, no âmbito do artigo 72.º da Lei da Televisão e dos Serviços Audiovisuais a Pedido, que respeita à atividade ilegal de televisão.

Na sexta-feira, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) informou que, "tendo tomado conhecimento de mudanças relevantes na estrutura da TVI, está a avaliar o âmbito das mesmas e eventual configuração de nova posição".

Acrescentou ainda que, "em análise, está a eventual alteração não autorizada de domínio, que envolve responsabilidade contraordenacional e pode dar origem à suspensão de licença ou responsabilidade criminal, tendo em conta o artigo 72.º da Lei da Televisão e dos Serviços Audiovisuais a Pedido".

Entretanto, hoje, a Lusa pediu um esclarecimento à ERC sobre a razão de ser referido o artigo 72.º da Lei da Televisão e dos Serviços Audiovisuais a Pedido.

Em resposta por escrito, o regulador dos media afirmou que, "na sequência deste e do anterior contacto, [...] não tem nada a acrescentar neste momento sobre as mudanças na estrutura da TVI", voltando a referir que o "assunto está a ser apreciado no âmbito do artigo 72.º".

Este artigo diz respeito à atividade ilegal de televisão, cujo ponto n.º 1 refere que "quem exercer a atividade de televisão sem para tal estar legalmente habilitado é punido com prisão até três anos ou com multa até 320 dias".

O disposto do n.º 1 é nomeadamente aplicável em caso de, de acordo com a alínea a), "exercício da atividade por entidade diversa da que foi licenciada ou autorizada", lê-se na lei.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG