TAP cancela mil voos devido ao novo coronavírus

Companhia aérea portuguesa fala em "quebras significativas" na procura em março e abril.

Admitindo ter tido "quebras significativas" na procura em março e abril, a TAP anunciou esta quinta-feira o cancelamento de "cerca de 1000 voos", uma decisão que se prende com a preocupação da companhia aérea portuguesa com a saúde dos passageiros e funcionários, devido ao surto do novo coronavírus.

Em comunicado, a TAP explica que os cancelamentos "incidem especialmente na operação para cidades nas regiões mais afetadas, sobretudo Itália". Mas a companhia aérea deverá ainda reduzir a oferta de voos em "mercados europeus que mostram maiores quebras da procura". Neste caso, Espanha ou França. E deverão ainda afetar alguns voos intercontinentais.

A TAP avança que "irá contactar todos os passageiros afetados por estes cancelamentos", procurando encontrar soluções e alternativas para as suas viagens.

A empresa explica ter já ativado o seu plano de contingência para lidar com o surto de covid-19.

Confrontada com o inevitável decréscimo da receita que estes cancelamentos irão implicar, a companhia área informa que "para proteger a integridade da sua tesouraria" já tomou decisões como "a suspensão de todos os investimentos não críticos, a revisão e corte de despesas não essenciais para o negócio ou a suspensão de contratações e novas admissões, para além da adequação da oferta à procura".

Os cancelamentos devido ao coronavírus juntam-se à suspensão dos voos da TAP para a Venezuela, que na apresentação dos resultados de 2019, Antonoaldo Neves indicou poder custar dez milhões de euros à empresa. No ano passado, a A TAP SGPS (que tem empresas participadas como a TAP Air Portugal; a TAPGER, a Portugália, a Aeropar Participações, a TAP Manutenção e Engenharia Brasil, S.A. e Groundforce Portugal) registou prejuízos de 105,6 milhões de euros. Um resultado em parte explicado pelo forte investimento e pelos custos associados à entrada em operação dos novos aviões

Perdas de companhias aéreas mundiais podem atingir 101 mil milhões de euros

Esta manhã, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) anunciou que as companhias aéreas mundiais podem registar perdas de receitas até 113 mil milhões de dólares (101,1 mil milhões de euros) devido ao impacto da epidemia do novo coronavírus.

"A situação que resulta do Covid-19 não tem quase precedentes", sublinhou o diretor-geral da IATA, Alexandre de Juniac, num comunicado publicado esta quinta-feira na sequência de uma reunião em Singapura.

"Em pouco mais de dois meses, as perspetivas do setor na maioria das regiões do mundo ficaram radicalmente sombrias", observou.

Essa estimativa não tem em consideração as perdas no transporte de mercadorias. O cenário mais crítico envolve uma redução de 19% na receita global do transporte aéreo de passageiros. Segundo a organização, "do ponto de vista financeiro, seria equivalente ao que o setor passou durante a crise financeira global".

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