Seguros. "Os impactos económicos [da pandemia] vão durar algum tempo"

Para Gary Shaughnessy, da Z Zurich Foundation, a crise vai durar mas também vai acelerar algumas mudanças positivas, incluindo no setor segurador. As fundações podem contribuir para ajudar os mais afetados.

"Penso que os impactos económicos do que aconteceu nas últimas 11 a 12 semanas são vastos e vão durar algum tempo". A frase é de Gary Shaughnessy, presidente da Z Zurich Foundation, instituição que está a apoiar projetos que envolvem pessoas afetadas pela crise atual. Com uma carreira de mais de duas décadas no setor segurador, Shaughnessy antecipa mudanças nos seguros. "De um ponto de vista dos seguros, penso que reafirma a importância de demonstrar que se está a trazer valor ao cliente. Se não se estiver a trazer valor para o cliente, não se tem o direito de continuar na indústria", sublinhou em entrevista ao Dinheiro Vivo. Destacou que "o setor segurador vai mudar mais para serviços que ajudam as pessoas a prevenir riscos, bem como estar lá com elas quando os riscos se concretizam". "Penso que as crises aceleram certos aspetos da mudança.

O uso da tecnologia como um facilitador disparou de forma dramática, em termos de comunicação e da forma de trabalhar", afirmou. A mudança "é boa para o ambiente e, provavelmente, ajudou as pessoas a serem mais produtivas, em terminadas funções, não em todas". A pergunta é como usamos isso sem perder a importância da interação humana e apoio da sociedade. Ficamos muito isolados", destacou.

Milhões para a crise Covid

Shaughnessy lidera há quase dois anos a Z Zurich Foundation, depois de mais de seis anos no cargo de presidente executivo da seguradora suíça na região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA).

A Fundação obteve uma dotação de 37 milhões de euros para o ano de 2020, quase o dobro do financiamento de anos anteriores. No âmbito da crise epidémica, a Fundação comprometeu 2,3 milhões de euros para apoiar as organizações com as quais já trabalha e para as instituições de caridade com as quais as unidades de negócios de Zurich trabalham em todo o mundo há muito tempo. Outros 13 milhões de euros foram reservados para financiar iniciativas locais, em colaboração com escritórios e pessoal de Zurich. A Fundação também se dispôs a equiparar os fundos arrecadados pelos funcionários de Zurich para apoiar instituições de caridade locais.

Em Portugal, a Fundação doou 22.400 euros à Comunidade Vida e Paz, cujos recursos se esgotaram devido ao aumento da procura, em mais 600 pessoas por dia. O Centro Padre Alvez Correia, que presta apoio a migrantes, recebeu 40.000 euros para alimentar famílias na região de Lisboa.

Um dos principais projetos da Fundação é na área da saúde mental, uma das mais críticas em tempos da Covid-19. "Já havia uma crise antes e está a piorar. Tudo indica que o número de pessoas a usar medicação para a ansiedade aumentou em vários países desde o confinamento", disse o presidente da Fundação Z Zurich. Um dos seus grandes programas chama-se "Tackle your feelings", com uma forte campanha na Irlanda "devido a um grande número de suicídios entre pessoas mais jovens". "Há o estigma de se mostrar que se está sob stress. Se não se reconhece nem se tem confiança em contar a outras pessoas que se está sob stress é muito mais difícil uma solução", disse.

Destacou que o papel da fundação que dirige "é sobre uma mentalidade e uma filosofia". "A Fundação apoia pessoas que não têm acesso a seguros. É um mecanismo de suporte de apoio à sociedade fundamental", sublinhou.

Sobre as críticas, de que muitas vezes as fundações servem objetivos de poupança fiscal das organizações, Shaughnessy foi peremptório: "Isso não tem sido parte da discussão com o Grupo, que nos tem sempre apoiado. Não sinto, por um segundo, que tenha a ver com engenharia financeira. Tem a ver com se fazemos a diferença ou não".

Jornalista do DInheiro Vivo

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