Saber de Contas chega para ajudar à literacia financeira dos portugueses

Associação Portuguesa de Bancos terá o novo site a funcionar a partir de 31 de maio e a sua apresentação é feita durante uma conferência em que participa o ministro da Educação.

Sabia que a maioria dos portugueses não consegue descodificar a diferença quando lhes é dito que algo vai ser "creditado" ou "debitado" na sua conta? E que, quando contratam um empréstimo, muitos não comparam juros, só querendo saber onde encontram a prestação mais baixa? São muitos os que não conseguem fazer contas à vida. Tudo porque não têm noção de risco, não sabem como gerir um orçamento, nem planear poupanças. E se isto é no plano dos conceitos, pior ainda é pô-los a fazer as operações básicas - consultar movimentos ou pagar contas - no telemóvel, tablet ou computador. Chama-se a esta incapacidade iliteracia financeira e é para a combater que a Associação Portuguesa de Bancos vai lançar na próxima terça-feira, 31 de maio, o site Saber de Contas, durante uma conferência no Auditório da Culturgest, com início às 10.00.

"O Saber de Contas é um site que a Associação Portuguesa de Bancos (APB) vai lançar com o objetivo de transmitir um conjunto de conhecimentos financeiros, não só em termos de conceitos como também de trabalhar as competências digitais da população em geral", explica ao DN Rita Machado, da APB.

"É um site transversal - dirige-se tanto a um público mais jovem, como ao mais sénior - e nele temos um conjunto de artigos de opinião sobre diversos temas: desde poupanças, crédito, gestão de finanças pessoais, como fazer um orçamento familiar...", explica a responsável, que é diretora da Área Operacional de Formação Avançada do Instituto de Formação Bancária, entidade que pertence à APB.

No fundo, o site terá na mira três públicos-alvo, juntando aos dois acima referidos também os clientes bancários em geral.

Além dos artigos esclarecedores, o Saber de Contas ainda disponibilizará aos utilizadores um conjunto de vídeos que funcionam como tutoriais para diversos temas. "E esses vídeos também permitem o desenvolvimento de algumas competências digitais, na medida em que explicam como é que se podem fazer operações de uma forma mais desmaterializada", diz Rita Machado. Ou seja, sem recurso ao papel.

Segundo a responsável da APB, o objetivo é aumentar conhecimento e literacia financeira dos públicos-alvo e ajudá-los a tomar decisões mais bem informadas e responsáveis na gestão do seu dia a dia.

A mais recente análise do Banco Central Europeu (BCE) à literacia financeira de 20 países da União Europeia - dois deles Estónia e Letónia, ex-repúblicas da União Soviética -, realizada em 2020, colocou Portugal em último lugar.

O que se detetou foi que os portugueses eram o povo, entre 20 testados, que mais deficiências demonstravam na compreensão de produtos e conceitos financeiros, bem como de riscos e oportunidades.

Desde 2011, com o seu Projeto de Educação Financeira, que a APB vem lutando contra esta iliteracia e, no fundo, com o lançamento do site Saber de Contas, o que a associação está a fazer é dar novo fôlego a este projeto.

Uma década de trabalho no terreno

"A Associação Portuguesa de Bancos criou um grupo de trabalho que se dedica ao tema da literacia financeira e temos vindo aqui a desenvolver um trabalho continuado desde essa altura", diz Rita Machado, referindo-se ao projeto de Educação Financeira da APB. A diretora de uma das áreas operacionais do Instituto de Formação Bancária da APB garante que "o balanço é francamente positivo", mas frisa que "há muito caminho ainda a percorrer, passados praticamente 10 anos deste projeto". "O nosso grande desafio, daqui para a frente, vai ser efetivamente uma questão de escala", conclui, referindo-se à vontade de chegar a uma faixa populacional cada vez mais vasta.

"O que é importante é que as pessoas conheçam os sítios onde podem ir à procura de informação e, no trabalho que nós fazemos com as escolas e mesmo com as universidades seniores, com as juntas de freguesia, muitas vezes aquilo que é preciso fazer é ajudar as pessoas a ir buscar a informação certa e apoiá-las nessa pesquisa de informação. E se souberem onde ir buscá-la, onde é que há fontes credíveis e, no fundo, também ajudá-las a selecionar a informação, estamos a contribuir para aumentar esses níveis de conhecimento", explica.

O Saber de Contas é um site que a Associação Portuguesa de Bancos (APB) vai lançar com o objetivo de transmitir um conjunto de conhecimentos financeiros.

Rita Machado conta ainda que, num programa dedicado a um público mais sénior, cuja 1.ª edição está agora em curso e termina em julho, todos os meses há sessões dedicadas a temas diversos, com forte incidência nas competências digitais. E, relata a responsável, no final das sessões as pessoas manifestam, por exemplo, o quão útil foi para elas terem aprendido a fazer operações online e a usar o home banking para as operações quotidianas. "Lembro-me de uma sessão que fizemos com o MBWay e as transferências, que também foi muito bem acolhida. As pessoas ficaram muito satisfeitas por aprenderem a fazer transferências para enviar dinheiro aos netos e aos filhos quando precisassem, sem ter de se deslocar."

É por isso que, dia 31, vai reunir-se em conferência um painel de pessoas que trabalham no terreno com os públicos que a APB costuma contactar. Nomeadamente, uma professora que trará o testemunho do que tem feito com alunos do 3.º ciclo e do secundário para aumentar a sua literacia financeira - levando-os a ganhar o European Money Quiz deste ano - e a vice-presidente de uma universidade sénior, que se debruçará sobre a importância destes temas para os mais velhos. Haverá ainda intervenções do presidente da APB, Vítor Bento, do vice-governador do Banco de Portugal, Luís Máximo dos Santos, e do ministro da Educação, João Costa.

dnot@dn.pt

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