Ryanair investe forte e abre base no Funchal

Companhia investe 177 milhões de euros para abrir base no Funchal. Vai disponibilizar ligações para o continente e para o estrangeiro.

A aposta da Ryanair no mercado português é para continuar. A transportadora anunciou a abertura de uma base aérea na Madeira, num investimento de 200 milhões de dólares - cerca de 177,5 milhões de euros -, criando 60 postos de trabalho diretos. A low-cost passará a ligar não só o Funchal a Portugal continental como também a mercados externos chave, dando um impulso ao turismo, um dos motores da economia regional.

A companhia irlandesa voa para Portugal desde o início dos anos 2000, tendo começado com ligações para Faro. Nestes quase 20 anos, a transportadora foi cimentando a sua posição, sendo atualmente, e de acordo com dados da ANA - Aeroportos de Portugal, a segunda maior companhia aérea a operar na rede de aeroportos nacionais e a primeira nos aeroportos do Porto e de Faro. Já com bases aéreas no Porto, Lisboa, Faro e Ponta Delgada, a chegada à Madeira vai permitir, a partir do próximo ano, alocar duas aeronaves e o lançamento de uma dezena de rotas, "mais que qualquer outra companhia", diz.

Com a pandemia, o peso do mercado interno no turismo na Madeira aumentou. No entanto, a diversidade de paisagens da Madeira atrai também muitos estrangeiros. O turismo de natureza, com as levadas, por exemplo, atrai franceses e alemães. Os britânicos têm há séculos uma ligação à Madeira. Por isso, não é de estranhar que algumas das rotas sejam para estes destinos, enviando um sinal ao mercado de que a Ryanair acredita na retoma destes mercados emissores de turistas para a Madeira.

Além de ligar o Funchal ao Porto e a Lisboa, a companhia vai também ter ligações para Bruxelas (Charleroi), Dublin, Londres (Stansted), Manchester, Marselha, Nuremberga, Paris (Beauvais) e Milão (Bérgamo). No total, serão disponibilizados mais 350 mil lugares por ano, um aumento de 22% no transporte de passageiros na região. "A Ryanair irá ainda operar 160 rotas portuguesas no próximo verão (mais do dobro da TAP), para 15 países", disse a companhia.

Esta não foi a única farpa deixada à TAP. A Ryanair tem estado numa troca acesa de argumentos com o ministro das Infraestruturas, que tem a tutela da TAP e do novo aeroporto. Eddie Wilson, CEO da Ryanair, referiu que "numa altura em que é possível verificar outras companhias aéreas a reduzirem as suas frotas e a fecharem bases, estamos felizes por continuar a investir tanto nas nossas equipas como nos aeroportos em Portugal".

"Incentivamos o governo português a fazer o mesmo, com a abertura do novo aeroporto Lisboa-Montijo, eliminando o imposto de aviação inoportuno (que é um imposto direto sobre o turismo) e introduzindo um esquema de recuperação de tráfego não-discriminatório. Tudo isto poderia ser facilmente financiado com os 3,2 mil milhões de euros de ajuda estatal desperdiçada concedida à TAP, - a pequena companhia aérea zombie - pelo governo português", acrescentou em comunicado.

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, assegurou que o governo trabalha com "todas as companhias aéreas" que queiram operar na Madeira e não apenas com a TAP. Citado pela Lusa, Siza Vieira sublinhou: "É muito positivo que possamos ter agora na Madeira uma base da Ryanair, que vai aumentar exponencialmente a disponibilidade de conexão quer dentro do território nacional quer a outros pontos do território europeu."

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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