Reabertura de Guifões vai ser fundamental para manter comboios urbanos do Porto

António Costa quer colocar Portugal no clube europeu de produtores de material circulante a partir da região norte.

O presidente da CP, Nuno Freitas, diz que a reabertura do complexo industrial ferroviário de Guifões vai ser fundamental para a manutenção de material circulante, para a recuperação de outro que está parado e para a modernização de composições, principalmente as que são usadas na região norte. A reabertura das oficinas de Guifões, em Matosinhos, foi assinalada nesta quarta-feira com a presença do primeiro-ministro e do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.

Os comboios da região norte vão ser alvo de uma revisão geral a partir do próximo ano, ao fim de 20 anos de serviço, e "esta oficina vai ser fundamental para a manutenção de material circulante da CP. Sem estas instalações, a CP não conseguiria fazer as revisões gerais dos comboios urbanos do Porto", assumiu Nuno Freitas.

Reabertura das oficinas vai criar 140 postos de trabalho, 90 deles altamente qualificados

Até há pouco tempo, acrescentou, "não existia planeamento nem tão-pouco se sabia onde fazer esta revisão geral". O dirigente da CP revelou haver já uma "carteira de projetos e intervenções" que esgota a capacidade das oficinas, que vão funcionar apenas com um turno, até 2024. Nuno Freitas acrescentou ainda que a reabertura das oficinas vai criar 140 postos de trabalho, 90 deles altamente qualificados, até ao fim de 2021.

As unidades múltiplas elétricas da série 3400 chegaram ao serviço urbano do Porto em 2001 e, além do Grande Porto, servem estações nos distritos de Braga e de Aveiro. Todos os dias circulam 33 das 34 unidades no ativo. Isto quer dizer que a revisão terá de ser feita de forma criteriosa para evitar a supressão de comboios, pressionados pelo aumento da procura gerado pelos novos passes, em vigor desde abril.

Até junho, Guifões também vai recuperar cinco locomotivas elétricas da série 2600 e 13 carruagens Schindler, da década de 1940. Até ao final do ano, também serão reparadas 14 carruagens saídas da fábrica portuguesa Sorefame.

Automotoras a diesel

A chegada deste material às linhas do Douro e do Minho vai libertar parte das 24 automotoras a diesel alugadas a Espanha para percursos não eletrificados, como as linhas do Oeste, do Alentejo e do Algarve, onde se mantêm as supressões diárias de comboios.

Neste ano, esta oficina vai ainda construir protótipos para a modernização, até 2024, de mais 40 carruagens Sorefame; protótipos para carruagens-piloto; e ainda um exemplar para a renovação de um total de 19 automotoras diesel da série 450.

Sonho de Costa

O norte do país também poderá servir para concretizar o sonho do primeiro-ministro, António Costa: pôr Portugal a fabricar os próprios comboios. "Tenho o sonho de daqui a dez, 20 ou 30 anos podermos dizer que fazemos parte do clube de produtores automóveis e de produtores de comboios", diz o líder do governo. Apesar da necessidade imediata de comboios para circular, as 22 novas automotoras para o serviço regional só deverão chegar entre 2023 e 2024.

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