Quebra no consumo faz cair o preço da sardinha para menos de 1 euro por kg

Os pescadores da sardinha regressaram ao mar, mas a procura em terra está em níveis muito abaixo do habitual. Faltam os turistas e clientes nos restaurantes.

A pesca da sardinha, que esteve proibida desde 12 de outubro, arrancou a 1 de junho, apenas por um período de dois meses e com limites de captura diários e semanais. Mas os primeiros dias trouxeram já motivos de preocupação, com a procura em lota "abaixo do normal" a atirar os preços médios para menos de um euro por quilograma. É uma descida de cerca de 50% face ao preço médio em 2019. No início da próxima semana, os pescadores vão decidir que medidas irão tomar.

"Ainda é cedo para fazer um balanço mas, de qualquer forma, estes três dias trouxeram-nos boas e más notícias. A regularidade da captura em todos os portos do país é um bom sinal do ponto de vista dos recursos piscatórios, mostra bem que estão recuperados, como havíamos dito", considerou o presidente da Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (ANOPCERCO), em declarações ao Dinheiro Vivo. Mas Humberto Jorge destaca a queda da procura. "Os preços médios caíram para menos de um euro, em alguns casos bastante abaixo, dependendo do porto e do tamanho. A sardinha grande está longe dos preços dos anos anteriores e a pequena, como é muita e muito misturada, tem grande dificuldade de escoamento".

A falta de turistas e a restauração ainda a meio gás ajudam a explicar a quebra no consumo, que leva a que, "mesmo a preços mais baixos, a sardinha tenha dificuldade em ser escoada". A próxima semana, com o Santo António, será fundamental para "ler os números e tomar decisões". De que tipo, não avança. "Há vários instrumentos que podemos usar", refere.

Mais do que expectativas, a próxima semana, que marca o arranque dos Santos Populares, traz alguma "esperança" de que a procura possa animar um pouco. "Temos esperança que melhore, mas temos dúvidas", admite Humberto Jorge. Até porque traz consigo dois feriados, a 10 e 11 de junho, sendo que a captura, descarga ou venda de sardinha é proibida em todos os dias de feriado nacional. "A semana é mais curta, a procura vai ficar concentrada nos dois primeiros dias da semana, excetuando quem ainda conseguir ir ao mar na sexta-feira".

A pesca da sardinha foi reaberta a 1 de julho e estará em vigor às 24 horas do dia 31 de julho, com um limite diário de 6300 toneladas.

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