Produtos associados baixam prestação da casa até 2%

Simulação da plataforma ComparaJá usa crédito de 150 mil euros. Poupança máxima é em comparação com spread extremo de 4,2%

Quando a Joana e o Rui decidiram comprar casa seguiram o exemplo de muitos portugueses: fizeram uma simulação em vários bancos e optaram pela opção que lhes garantia um spread mais baixo. No entanto, ganharam uma benesse inesperada: como a Joana tinha o ordenado domiciliado naquele banco, viu a prestação mensal cair.

Não é caso único. Nem o da Joana nem o do banco que escolheu. Em Portugal, vários bancos aconselham a contratação de produtos extracrédito que permitem reduzir a prestação a pagar ao final do mês. "Saber olhar para além do spread para poupar é fundamental e, perante spreads não tão competitivos, é difícil não ficar tentado com as vendas associadas para diminuir custos", diz Sérgio Pereira, diretor--geral do ComparaJá.pt.

A plataforma de produtos financeiros fez as contas: um casal de 30 anos, com um financiamento de 150 mil euros, a pagar durante 30 anos, indexado a uma Euribor a 12 meses, pode poupar até um máximo de 232 euros por mês, em comparação com um spread extremo, e pouco usado, de 4,2% e caso aceite contratar produtos alternativos ao crédito na instituição que lhes atribui o empréstimo. Em causa estão ferramentas como a domiciliação do ordenado, cartão de crédito e débito, contratação de um seguro de vida ou multirriscos para a casa, assim como serviços de débito direto, produtos poupança-reforma e homebanking.

O mercado de crédito em Portugal é dominado por seis instituições - Caixa Geral de Depósitos; BPI; Millennium BCP; Santander Totta; Novo Banco e Bankinter - que respondem por mais de 80% dos financiamentos atribuídos em Portugal. Regra geral, são também as que "oferecem spreads mais baixos".

Foi para os principais bancos do mercado que o ComparaJá.pt olhou para mostrar que associar produtos ao crédito permite uma redução média entre 1% e 2% no valor a pagar ao final do mês. Para os 150 mil euros desta simulação, a maior diferença chega do Santander Totta. O banco pede 726,54 euros/mês, com base num spread de 4,2%, uma taxa pouca praticada em Portugal. Com produtos associados, a fatura cai para 494,26 euros, e o spread desce para 1,25%. No final das contas a diferença é de 232,28 euros. Logo depois está o Millennium BCP, que, no mesmo crédito, permite uma poupança de 124,88 euros se forem associados produtos a este crédito. A diferença mais pequena é do Novo Banco: a prestação de 613,95 euros encolhe para 559,69 euros, menos 54,26 euros.

A taxa de juro implícita no crédito à habitação desceu de 1,038% em outubro para 1,032% em novembro, com a prestação média paga em Portugal a manter-se nos 237 euros, mostra o Instituto Nacional de Estatística (INE). O valor médio de avaliação bancária na habitação para o total do país aumentou dez euros em novembro, fixando-se em 1091 euros por m2. Isto significa que uma casa de 100 m2 vale, em média, 109 mil euros. Em 2015, foram concedidos 3,9 mil milhões de euros para a compra de casa, tendo sido assinados 43 041 novos contratos, segundo o relatório de acompanhamento dos mercados bancários de retalho do Banco de Portugal.

Os produtos que se podem associar variam entre cada banco e, por lei, não podem ser obrigatórios. São uma ferramenta opcional que cada pessoa deve considerar: "É importante sublinhar que a promulgação do Decreto-Lei n.º 222/2009 veio estabelecer a possibilidade de o cliente poder trocar de seguradora em qualquer período da vigência do contrato", detalha Sérgio Pereira, lembrando que o seguro de vida deixou de ser um vínculo permanente, "podendo os clientes optar pela contratação junto da empresa de seguros que preferirem".

Novos empréstimos

Em novembro, o Banco de Portugal registou 535 milhões de euros de novos empréstimos para a compra de casa. O número de novos empréstimos está a subir há cinco meses consecutivos e no acumulado entre janeiro e novembro somava já 5,16 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde 2011 e que confirma uma tendência de retoma dos créditos, depois de uma desalavancagem das famílias durante o período da troika e do fecho da torneira do crédito. A "recuperação do mercado imobiliário nos últimos dois anos tem sido suportada pela maior abertura dos bancos para conceder crédito", refere Sérgio Pereira.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG