Óscar Gaspar: "É urgente lançar um plano extraordinário de recuperação das listas de espera"

Óscar Gaspar é o presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada

Dia 30 há eleições legislativas. Como convencer um abstencionista a ir votar?

Votar é decidir, votar é participar no futuro que queremos. Votar é ter voz. Pense em tudo o que pode estar dependente daqueles poucos minutos que perde ao ir votar. Por um se ganha e por um se perde, pelo que o seu voto é mesmo importante.

Qual a primeira medida na sua área que o governo deveria tomar?

Tendo em conta os impactos da covid-19, é urgente lançar um plano extraordinário de recuperação das listas de espera em termos de consultas, cirurgias e meios complementares de diagnóstico, de modo que os cidadãos tenham acesso aos cuidados de saúde adequados e se quebre o ciclo de atraso no diagnóstico e tratamento. Portugal deveria assumir o compromisso de fazer um esforço extraordinário para que até ao final de 2022 se recuperasse toda a atividade suspensa ou adiada até este momento. Os prestadores privados podem ser parceiros desta missão.

E qual a primeira medida para o país, em geral?

O grande objetivo a prosseguir é crescimento. Portugal tem que voltar a convergir com a UE porque tal é condição necessária para emprego, melhoria dos rendimentos, atração de investimento, desenvolvimento do país e sustentabilidade das políticas
públicas. Neste sentido exige-se uma atitude diferente para com as empresas, que são quem cria emprego e riqueza para o país. Uma mudança cultural que coloque as empresas como parceiras de desenvolvimento.

Fiscalidade: o novo governo deve baixar primeiro os impostos às famílias ou às empresas? Qual das soluções trará mais rápido crescimento ao país?

A proposta de OE2022 tinha algumas medidas de alívio do IRS e é necessário que se alarguem os escalões e que sejam consideradas as despesas das famílias em termos de saúde e educação. Relativamente às empresas, e é aqui que se joga a competitividade, é essencial a redução dos custos de contexto (obrigações declarativas, "taxas", licenciamentos), a redução da tributação (IRS, derramas, tributações autónomas) e o estímulo à capitalização. Defendo a celebração de um Pacto Social para o Crescimento que possa ser mobilizador para toda a sociedade.

Na sua opinião o que seria melhor para Portugal: um governo de maioria absoluta ou de coligação entre vários partidos?

Independentemente da formulação é importante que o país tenha um governo estável e que esse governo respeite a maioria sociológica dos portugueses, tal como ficar expresso no resultado eleitoral.

O PRR pode mudar o país? Qual a sua expectativa em relação à execução do PRR durante esta legislatura?

Pode e deve, mas até ao momento os empresários não viram sinais nesse sentido. O PRR deve melhorar o funcionamento da administração pública e ser um instrumento de transformação, apoiando a economia nas transições digital e climática, na capitalização e reforçando incentivos às agendas mobilizadoras. A articulação PRR com PT2030 também é essencial.

Escolha dois ou três políticos da História de Portugal (que não sejam candidatos a estas eleições) e que continuam a ser uma inspiração para si?

Na história recente de Portugal, Mário Soares e António Guterres são os dois estadistas que mais se destacam. Mário Soares encarna a coragem da liberdade, a visão de um Portugal mais próspero e mais justo e a estratégia de nos assumirmos europeus de corpo inteiro. António Guterres continua a honrar a sua declaração "razão e coração" quando luta pela paz no mundo e por um humanismo sem fronteiras, sustentado não apenas pelo pode ser, mas sobretudo pelo deve ser.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG