Lisboa e Cascais são exemplos internacionais de mobilidade urbana sustentável

Os dois municípios da Área Metropolitana de Lisboa são exemplos globais de soluções de mobilidade urbana. Ambas as cidades defendem o modelo da mobilidade como um serviço.

"Não se pode falar do futuro da mobilidade urbana sem referir os exemplos das medidas que estão a ser postas em prática em Lisboa e Cascais", afirmou Miguel Eiras Antunes, Global Smart Cities & Local Government Leader da Deloitte na abertura da sessão de debate "Mobility in Portugal - a Case Study at a Global Scale" que decorreu no Portugal MobiSummit na Nova SBE, em Carcavelos.

As duas cidades servem de exemplo por três razões: liderança, ecossistemas fortes e colaboração - às quais se junta a existência de grandes empresas que operam nesta área, sejam companhias internacionais ou portuguesas.

Boas práticas de mobilidade de Lisboa e Cascais para o mundo

Antes de abordar algumas das medidas específicas que foram adotadas na capital, Miguel Gaspar, Vereador da Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa, começou por destacar um princípio que considera basilar para ser possível discutir este tipo de questões.

"O mais importante é o sentido de compromisso para realizar a promessa de atingir um futuro melhor para os nossos filhos, para avançar na sustentabilidade e no sentido das emissões zero", afirmou.

No caso de Lisboa, foi o sentido de compromisso entre vários municípios da Área Metropolitana com sensibilidades políticas diversas que permitiu fomentar a coesão necessária ao lançamento do passe Navegante Metropolitano que permite utilizar todas as empresas de transporte de 18 municípios diferentes.

Rui Rei defendeu uma posição semelhante. "Precisamos de empoderar quem pode tomar decisões para transformar as opções de mobilidade, essa transformação depende muito da vontade política dos decisores", disse o CEO da Cascais Próxima.

A partir de janeiro de 2020, Cascais vai tornar a mobilidade gratuita na cidade. "Temos que fornecer às pessoas, não só alternativas, mas também incentivos ao uso do carro próprio e para isso é preciso integrar todos os elementos do ecossistema de mobilidade", avançou Rui Rei.

Desafios dos ecossistemas de mobilidade

O futuro da mobilidade tem de ser trabalhado como um ecossistema, o que quer dizer que "não depende apenas dos decisores políticos e legisladores mas também dos produtores de inovação nesta área", segundo Scott Corwin, Future of Mobility Leader da Deloitte.

"A questão principal é conseguir elaborar modelos de mobilidade integrados que permitam responder aos desafios que incluem dar possibilidade às pessoas de se moverem", por um lado e por outro, "alinhar e articular sistemas de pagamento dessa mesma mobilidade", considerou.

Encontrar soluções de pagamento para novas formas de mobilidade que agreguem diferentes meios de transporte é um dos fatores cruciais para o sucesso da mobilidade sustentável.

Um dos caminhos que Lisboa e Cascais já começaram a fazer é o de considerar a mobilidade como um serviço às populações.

"As cidades têm de se tornar gestoras de mobilidade e não apenas de gestão das infraestruturas", considerou Miguel Gaspar, Vereador da Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa.

"É preciso fazer pontes entre stakeholders públicos e privados", destacou. Dando como exemplo a autarquia da capital, revelou que um dos desafios da implementação do passe Navegante Metropolitano teve a ver a "partilha de dados entre a gestão da autarquia e empresas de autocarros, comboios e metro".

Ao considerar "a mobilidade como serviço é possível olhar para além do custo. O transporte público é mais barato mas menos flexível que o carro", reconheceu o vereador. Para Miguel Gaspar, "é necessário abrir ainda mais o ecossistema para todos os operadores de mobilidade se possam integrar".

No caso de Cascais, a implementação da mobilidade como serviço para por "colocar a escolha nas mãos das pessoas", explicou Rui Rei.

"Acreditamos que as pessoas têm direito a escolher a forma como se querem mover", afirmou o CEO da Cascais Próxima e elencou uma das medidas que o município pretende implementar para oferecer mais opções.

"É preciso simplificar a forma como as pessoas se movem - e os autocarros têm de dar "quilómetros" às cidades em vez de cobrarem bilhete - para que as pessoas possam escolher como se mover", defendeu.

Quem deve pagar a mobilidade como serviço?

A resposta a esta questão foi unânime: o financiamento deve ser suportado pelo erário público.

Os preços baixos de novas alternativas de mobilidade integradas da Área Metropolitana de Lisboa "são sustentáveis através de financiamento público, como também fazem outras cidades de mundo como Madrid, Barcelona e outras", reconheceu Miguel Gaspar.

"A mobilidade é um bem público, como os esgotos ou a rede de telecomunicações", reforçou o Vereador da Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa.

Em Cascais, as soluções de mobilidade urbana também são financiadas numa parcela muito significativa, "através de dinheiros públicos".

Rui Rei, CEO da Cascais Próxima, defende que ao nível do financiamento também devem ser encontradas soluções de parceria com os privados.

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