Investimento na ferrovia não é prioridade nos programas eleitorais

Apenas IL e BE apresentam planos detalhados com investimentos de 20 e nove mil milhões de euros, respetivamente. Nova ponte ferroviária sobre o Tejo une bloquistas e liberais.

O regresso do comboio como principal meio de transporte coletivo é uma das principais medidas da União Europeia para que as deslocações tenham menos peso no ambiente. Mas o caminho-de-ferro está longe das prioridades dos programas dos 20 partidos que concorrem às eleições legislativas do próximo domingo. Apenas o Bloco de Esquerda (BE) e a Iniciativa Liberal (IL) apresentam propostas detalhadas para o futuro da ferrovia. Noutros partidos, as referências à ferrovia resumem-se a uma ou duas frases.

Bloquistas e liberais apresentam aos eleitores planos ferroviários de longo prazo, a 15 (IL) ou a 20 anos (BE), com ajuda da comparticipação europeia em 55% ou 60%, respetivamente.

Com prazo de execução de 15 anos e 20 mil milhões de euros de orçamento, o plano da Iniciativa Liberal foca-se na construção de novas linhas e na substituição de traçados a norte. Colocar todas as capitais de distrito a duas horas de distância de Lisboa ou Porto sobre carris é o principal objetivo.

"Aproximará populações e criará novo dinamismo económico, social, cultural e universitário, gerando oportunidades, oferta de serviços e emprego, prosperidade e qualidade de vida", acredita o partido liderado por João Cotrim de Figueiredo.

Com a construção de novas linhas, a IL pretende aumentar a rede ferroviária nacional em cerca de 800 quilómetros.

Depois do investimento, a operação da CP poderia ser mais rentável "em pelo menos" 33% e as necessidades de frota seriam reduzidas para metade. Ao mesmo tempo, os liberais pretendem angariar novas transportadoras para concorrerem com a empresa pública.

Além da nova linha Lisboa-Porto - para separar comboios rápidos das composições de caráter suburbano ou regional -, a IL também defende a construção de uma nova ponte exclusivamente ferroviária no rio Tejo, entre Chelas e Barreiro. Com a terceira travessia na capital, poupa-se pelo menos meia hora de viagem entre Lisboa e Pinhal Novo e Évora passa a ficar a menos de uma hora da capital.

Também a terceira ponte está nas prioridades do Bloco de Esquerda no seu plano ferroviário nacional, até 2040, e que conta com nove mil milhões de euros de investimento. Do envelope sobre carris, 6,5 mil milhões de euros destinam-se à infraestrutura. Também com o objetivo de pôr o comboio em todas as capitais de distrito, o BE apenas detalha a requalificação das linhas suburbanas de Lisboa e do Porto.

O restante orçamento ferroviário do partido de Catarina Martins destina-se à renovação e modernização de metade da frota da CP, com 150 novos comboios para a transportadora e ainda a compra de material circulante para serviços de longo curso e internacionais.

Caso seja concretizado, todo o plano do Bloco de Esquerda implica um aumento de 100 milhões de euros nos custos de exploração anuais suportados pela CP. "Metade desse valor é recuperável nas tarifas, sendo a outra metade suportada pelo Orçamento do Estado", estimam os bloquistas.

E os outros partidos?

No governo desde final de 2015, o PS apresenta-se a estas eleições com a aposta na continuidade: completar, com três anos de atraso, o programa de investimentos Ferrovia 2020; criar um eixo de alta velocidade que ligue Lisboa à Galiza, passando por Leiria, Coimbra, Aveiro, Porto e Braga; aprovar, no parlamento, o Plano Ferroviário Nacional; e ainda concretizar a compra de novos comboios.

Quanto a maior adversário na oposição, o PSD, propõe um plano a 15 anos para criar, em coordenação com Espanha, uma "nova rede ferroviária de bitola europeia nos eixos de grande tráfego".
Os sociais-democratas não referem, contudo, que Espanha pretende manter a bitola ibérica e que para enviar mercadorias de Portugal para o centro da Europa já existem soluções tecnológicas que evitam o isolamento lusitano, como os comboios com eixos variáveis.

Partido Socialista propõe continuar com a política do atual governo para o caminho-de-ferro, e o PSD quer criar "uma nova rede ferroviária de bitola europeia nos eixos de grande tráfego."

O compromisso eleitoral deste ano do PCP propõe-se apenas a "concretizar o investimento na ferrovia, incluindo na eletrificação de linhas e no material circulante".

Mas no programa eleitoral dos comunistas nas anteriores legislativas, os comunistas comprometiam-se com a ligação de alta velocidade Lisboa-Porto, a construção da ponte rodoferroviária Chelas-Barreiro e ainda com a reabertura de ramais como o da Figueira da Foz e da Lousã.

O PAN quer aumentar as receitas da ferrovia, "muito para lá da atual taxa de carbono", através da introdução de "taxas significativas" nos bilhetes de avião para voos domésticos dentro de Portugal "em que não haja continuidade da viagem para outros destinos".

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