Embaixador: "Em nenhuma circunstância chineses vão controlar o que a EDP tem nos EUA"

Diplomata norte-americano em Portugal refere que o seu país se opõe absolutamente à OPA chinesa à EDP. Alerta que a EDP pode ser obrigada a vender os seus interesses em território norte-americano.

George Glass, embaixador dos EUA em Portugal, afirmou que o seu país se opõe "absolutamente" à Oferta Pública de Aquisição (OPA) da China Three Gorges à EDP, alegando motivos de segurança nacional. Recordando que a "EDP está localizada nos EUA", refere que "em nenhuma circunstância os chineses vão controlar o que a EDP tem nos EUA, o terceiro maior produtor de energia renovável".

O diplomata nomeado por Donald Trump para Portugal referiu, em entrevista ao Jornal Económico , que não deve ser uma "entidade estrangeira" a controlar a eletricidade, mas sim o próprio país ou "privados sob regulação nacional".

O embaixador norte-americano alerta ainda para o facto de os EUA poderem impor à EDP que venda os seus negócios no território dos EUA, "se a China Three Gorges insistir em continuar". Refere o CFIUS [Comité para o Investimento Estrangeiro nos EUA] pode obrigar à venda.

Sobre o mesmo assunto, George Glass admite uma intervenção norte-americana nas negociações, que não lhe parecem estar a ir "muito longe". Admitindo curiosidade dos EUA relativamente ao desfecho da situação, lembra "situações idênticas" anteriores, em que "a essas entidades não lhes foi permitido concluir o negócio". Lembra, no entanto, que é o Departamento do Tesouro dos EUA que vai tomar uma decisão.

De qualquer forma, afirma achar que "Portugal deve ter relações comerciais com a China", recorda que os "EUA têm centenas de milhar de milhões de dólares de comércio com a China" e que não é aí que está o problema, e que o "sucesso económico" depende destes entendimentos, mantidos a uma "dimensão planetária". Para o embaixador dos EUA em Portugal, o problema prende-se com a "violação da segurança nacional", que "não pode acontecer". Nem em Portugal, nem nos EUA, nos aliados ou nos membros da NATO.

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