Autoeuropa. Abaixo-assinado exige saída da nova comissão de trabalhadores

Documento posto a circular na semana passada exige a saída do grupo liderado por Fernando Gonçalves

A ineficácia da comissão de trabalhadores (CT) da Autoeuropa para encontrar um ponto de equilíbrio entre as reivindicações dos operários em relação a horários e pagamento e, simultaneamente, garantir as encomendas do novo modelo T-Roc está a crispar o ambiente na fábrica de Palmela. Descontente, um grupo de trabalhadores juntou-se num abaixo-assinado para "exigir a destituição da comissão de trabalhadores eleita". Até ao fecho desta edição, o documento não tinha ainda dado entrada no departamento de recursos humanos.

"O motivo da exigência de destituição prende-se com a falta de hombridade da referida Comissão de Trabalhadores no processo negocial referente à questão que se prende com os novos horários e que opõe os trabalhadores à Administração da Autoeuropa", refere o abaixo-assinado a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso.

O documento foi assinado por "200 a 300 trabalhadores, bem mais do dobro dos cem necessários", adianta fonte sindical conhecedora do processo, e obrigará à marcação de um novo plenário onde o órgão representativo dos funcionários poderá ver retirada a confiança para continuar em funções. Contactada a CT, atualmente liderada por Fernando Gonçalves, diz desconhecer o documento.

Há muito que a falta de acordo mina o clima social da fábrica. Em dezembro, já esteve a circular um abaixo-assinado para destituir a comissão de trabalhadores eleita em outubro, que acabaria por ficar na gaveta. A gota de água, que voltou a desencadear todo o processo, aconteceu na semana passada quando, confrontado por um trabalhador descontente, um elemento da CT avançou com uma queixa que já originou a abertura de um processo disciplinar com vista ao despedimento por justa causa.

O abaixo-assinado foi posto a circular na semana passada, dia de plenário. "Neste momento dois elementos da atual CT já se demitiram", diz a mesma fonte.

A CT é o único organismo que a administração da empresa considera válido para negociar questões laborais. Contrariamente ao resto da indústria, em Palmela, os sindicatos não têm intervenção nas negociações. No entanto, para vários operários, a forma como este organismo tem negociado os novos turnos de produção e os pagamentos/prémios está aquém do esperado. "A comissão de trabalhadores tem de exigir um prémio de objetivos por cada carro produzido. Tem de ser algo apetecível e alcançável. Só desta forma é que pagaria o sacrifício das pessoas", disse recentemente ao DN/Dinheiro Vivo António Chora, histórico representante dos trabalhadores da Autoeuropa.

O braço-de-ferro entre trabalhadores e administração já dura há mais de seis meses. Embora os horários tenham sido impostos pela administração - o último sábado foi o primeiro de trabalho obrigatório na fábrica -, ainda estão por acertar os pormenores que vão levar ao caderno reivindicativo de 2018 e onde se exige um aumento salarial de 6,5%, com um mínimo de 50 euros, e com efeito retroativo a 2017.

Sem acordos à vista, o Sindel, sindicato afeto à UGT, desenha uma proposta de um acordo de empresa que sirva os 5700 operários de Palmela. O documento está a ser preparado com base na realidade de outras fábricas do Grupo Volkswagen espalhadas pela Europa, nas quais as decisões laborais se dividem entre comissão de trabalhadores e sindicatos. Para isso, vai avançar com um pedido formal para reunir com a administração da fábrica, onde marcará presença Carlos Silva, secretário-geral da UGT.

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