Exportações nacionais cresceram mais de 60% desde 2007

Vendas de bens e serviços ao exterior pesam cada vez mais no PIB do país que tinha, no final do ano passado, mais de 22 mil empresas exportadoras. AICEP reúne em Viseu para discutir os próximos 15 anos para a economia portuguesa.

Em relação a 2007, Portugal é hoje um país com população mais qualificada, com mais empresas exportadoras e com mais vendas ao exterior - até 2021, o crescimento foi superior a 60%. Os últimos 15 anos foram marcados por altos e baixos na economia nacional, que volta agora a atravessar momentos difíceis à boleia dos efeitos da pandemia, da guerra na Ucrânia e da subida da inflação que parece não querer abrandar. Ainda assim, os números referentes ao primeiro semestre do ano, no que às vendas ao exterior diz respeito, perspetivam um crescimento acima dos níveis pré-pandemia, recuperando a quebra registada em 2020.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), entre janeiro e junho as exportações de bens e serviços superaram os 56,2 mil milhões de euros, uma subida de 38,1% face ao mesmo período em 2021. Espanha, França e Alemanha mantêm-se como os três principais mercados para as mais de 22 mil empresas portuguesas exportadoras, seguindo-se o Reino Unido e os Estados Unidos como os maiores clientes fora do espaço da União Europeia. A recuperação do setor turístico lidera a tabela nas exportações, com uma subida de 234,1% face ao período homólogo, com o pódio a incluir ainda a venda de máquinas e aparelhos, bem como de veículos e outros materiais de transporte.

O objetivo nacional será superar, no final deste ano, os mais de 89 mil milhões de euros em exportações registados em 2021, ano em que as vendas externas representaram um peso de 42,3% no produto interno bruto (PIB).

Economia atrai mais investimento estrangeiro

A par do aumento do comércio para lá das fronteiras nacionais, Portugal tem sido capaz de, ao longo dos anos, tornar-se num mercado atrativo para o investimento estrangeiro. Em 2021, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) captou 2,7 mil milhões de euros em Investimento Direto Estrangeiro (IDE) no país, mais 229% do que o recorde atingido em 2019. Mas a atratividade da economia portuguesa é evidenciada, também, no recente estudo EY Attractiveness Survey Portugal 2022. "Portugal subiu para a oitava posição do ranking dos países europeus com mais projetos de IDE anunciados em 2021", lê-se na nota da consultora EY.

Como aceleradores do crescimento português, os investidores olham para a economia digital, a sustentabilidade e o imobiliário como oportunidades nos próximos anos. No entanto, estas oportunidades vêm acompanhadas de desafios que consideram dificultar uma evolução mais rápida - o enquadramento fiscal e a sua estabilidade, mas também a dificuldade na atração e, sobretudo, na retenção de talento.

Olhar o passado e perspetivar o futuro

Como vem sendo hábito nos últimos anos, a AICEP volta a organizar, a 12 de outubro, a sua Conferência Anual - Exportações e Investimento que desta feita será dedicada ao tema "15 anos a fazer crescer Portugal", com o presidente Luís Castro Henriques a dar início aos trabalhos. Partindo de uma análise do passado para projetar os desafios e as oportunidades do futuro, a agência pública ruma a Viseu para uma tarde dedicada ao debate sobre a economia nacional. Prevê-se a partilha de dados atualizados sobre as vendas portuguesas ao exterior e o investimento contratualizado para 2022, num evento que contará com a intervenção de António Costa. O primeiro-ministro falará sobre "Portugal nos próximos 15 anos", a partir das 15.30, numa altura em que o contexto internacional deixa as empresas e as famílias nervosas com a possibilidade de uma recessão, da continuidade do aumento da inflação - fixada em 9,3% em setembro - e de uma crise energética que promete prolongar-se em 2023.

O programa inclui ainda uma mesa-redonda que junta os anteriores presidentes da AICEP para perspetivar a evolução da economia nacional. Estarão ainda presentes o secretário de Estado da Internacionalização, Bernardo Ivo Cruz, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, que fará o encerramento da sessão.

As empresas que se destacaram pelo seu desempenho no desenvolvimento e execução de estratégias de internacionalização e investimento, no âmbito do Portugal 2020, serão distinguidas com prémios em duas categorias. Para Melhor PME Exportadora estão nomeadas a Fresbeira - Indústria de Carnes e a Pulverizadores Rocha, enquanto ao galardão de Melhor Investimento concorrem a Empresa Portuguesa de Obras Subterrâneas, a INPLÁS - Indústria de Plásticos e a OLI - Sistemas Sanitários. A conferência começa às 15h no hotel Montebelo Príncipe-Perfeito, em Viseu.

dnot@dn.pt

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