Carlos Mineiro Aires: "Quem não vota, nunca terá legitimidade para exigir ou criticar o que quer que seja"

Carlos Mineiro Aires é o bastonário da Ordem dos Engenheiros.

Dia 30 há eleições legislativas. Como convencer um abstencionista a ir votar?
Quem se abstém fá-lo essencialmente por duas razões: não se revê em qualquer partido ou não se preocupa com o futuro do país. O voto é um dever e um direito que alcançámos e que infelizmente não existe em todos os países. Quem não vota, nunca terá legitimidade para exigir ou criticar o que quer que seja, pois não fez parte do jogo.

Qual a primeira medida na sua área que o governo deveria tomar?
Estabelecer um pacto transversal com os restantes partidos que garanta a estabilidade na execução do PRR e do PT 2030, como últimas soluções e apoios financeiros que o país disporá e onde a engenharia terá um papel crucial.

E qual a primeira medida para o país, em geral?
Assegurar soluções para a urgente transformação da nossa economia, ajudando as empresas a serem competitivas e produzirem riqueza e empregos adequadamente remunerados. O país só crescerá com menos Estado e mais sector privado.

Na sua opinião o que seria melhor para Portugal: um governo de maioria absoluta ou de coligação entre vários partidos?
Olhando para o atual espetro político e número de partidos acho que a obtenção de maiorias absolutas é cada vez mais uma miragem, salvo se existirem coligações prévias, o que não foi o caso. Por esta razão, o futuro governo terá que resultar de um cenário de coligação, efetiva ou apenas com apoio parlamentar, sob pena de a longevidade da legislatura estar comprometida. À esquerda ou ao centro, o importante é garantir a estabilidade do país.

Fiscalidade: o novo governo deve baixar primeiro os impostos às famílias ou às empresas? Qual das soluções trará mais rápido crescimento ao país?
Quando não se produz riqueza, não se reparte, pelo que o agravamento da carga fiscal torna-se numa fonte de rendimentos que conduz ao sufoco das empresas e da classe média. A prioridade deve ser o apoio às empresas através de financiamento e desagravamento de impostos, para que possam gerar mais lucros e remunerar melhor os seus trabalhadores e o Estado. A fiscalidade deve ser revisitada. Os impostos indiretos (ex. combustíveis e energia) são bem mais gravosos do que o IRC ou o IRS, sendo que o IVA necessita de ajustamentos aos diferentes bens e atividades.

O PRR pode mudar o país? Qual a sua expectativa em relação à execução do PRR durante esta legislatura?
Por si só, não mudará, mas muito ajudará a mudar o país, pelas múltiplas áreas onde incide e pelos generosos financiamentos que aportou. Um dos problemas das crises políticas é comprometerem as programações e compromissos assumidos, razão por que esta legislatura, que coincide praticamente com o PRR e que se estende até 2026, é crucial para a sua execução. Como qualquer cidadão consciente, a minha expetativa é muito elevada e exigente quanto à concretização desse objetivo, que deve ser um desígnio nacional.

Escolha dois ou três políticos da História de Portugal (que não sejam candidatos a estas eleições) e que continuam a ser uma inspiração para si?
Como cidadão independente, tenho de correr o espectro partidário e por ordem alfabética, para não ser mal-entendido: Álvaro Cunhal, Francisco Sá Carneiro, Francisco Lucas Pires e Mário Soares.

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