Bolsa de Lisboa caiu ao valor mais baixo em 24 anos

PSI20 caiu 10%, negociando a menos de 4000 pontos pela primeira vez desde 1996. Coronavírus e decisão de Trump de impedir voos da UE geram o pânico.

As Bolsas sucumbiram ao coronavírus. Em pânico, os investidores desfazem-se das suas carteiras de ações a qualquer preço, à medida que a pandemia se alastra e os impactos económicos e financeiros se tornam incalculáveis. No mínimo, os prejuízos deverão ascender a um bilião (milhão de milhões) de dólares, prevê a Conferência das Nações sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Na Europa, as principais praças financeiras registam quedas históricas. Madrid afundou 14,06%, Londres deu um tombo de 9,81%, Paris cedeu 12,28%.

Lisboa foi contagiada, perdendo 9,76%, a maior queda diária desde a crise financeira de 2008, com o PSI20 a negociar abaixo dos 4000 pontos pela primeira vez em 24 anos, numa quinta-feira ainda mais negra depois de Donald Trump, o presidente dos EUA, ter decidido impedir a entrada no país de cidadãos da União Europeia durante 30 dias.

Uma bomba para a cotação de companhias aéreas, agências de viagem, hotéis e bancos. BCP e EDP foram as cotadas no PSI20 mais penalizadas: a empresa presidida por António Mexia deu um trambolhão de 13,84% %; o banco liderado por Miguel Maya afundou 9,23%, negociando a um mínimo histórico de 11,31 cêntimos.

E nem sequer o pacote de medidas anunciado pelo Banco Central Europeu conseguiu conter o nervosismo. Christine Lagarde anunciou que o BCE vai ampliar em 120 mil milhões de euros o programa de compra de dívida, que atualmente já é de 20 mil milhões por mês, e abriu novas linhas de liquidez imediata. Curto para as expectativas do mercado, uma vez que manteve a taxa de referência em 0% e também não agravou a taxa de depósitos, atualmente de -0,4%, o que poderia permitir libertar fundos dos bancos para a economia.

Horas antes, tudo já se tinha precipitado no abismo, quando Trump, na sua intervenção pública, declarou que "irão ser restringidas as entradas de pessoas, de mercadorias e de outras coisas" da União Europeia. Face à perspetiva de um colapso comercial, a Wall Street abriu com quedas superiores a 8%, obrigando a suspender as negociações por 15 minutos. Um cenário que obrigou a Casa Branca, e o próprio Donald Trump via Twitter, a corrigirem as declarações, assegurando que o fecho das fronteiras não se aplicará ao comércio.

Mas a realidade é que os investidores, além do coronavírus, contam agora com dois novos focos de risco: uma guerra comercial EUA/EU e a impulsividade do presidente da maior economia do mundo. Os analistas não poupam críticas. "Para quem esperava medidas dos EUA que ajudassem a compensar a queda do consumo e das Bolsas, como o sugerido corte nos impostos sobre os salários, as palavras de Trump são más notícias e vêm deitar mais achas na fogueira de uma crise que ameaça lançar o mundo numa nova recessão".

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