Audições de alguns dos grandes devedores "geraram sentimentos de revolta", diz relator

Para o deputado relator, o parlamento fez o seu trabalho "e, ao fazê-lo como o fez, permitiu o escrutínio de situações ocorridas perante a opinião pública, contribuindo para a transparência e conhecimento público dos factos".

O relator da comissão de inquérito ao Novo Banco criticou esta terça-feira a postura de alguns dos grandes devedores nas audições quando alegaram desconhecimento ou falta de memória, considerando que foram momentos que geraram "sentimentos de revolta e incompreensão".

O deputado do PS Fernando Anastácio apresentou esta terça-feira a versão preliminar do relatório final da Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução (CPIPRNBIFR), um documento de mais de 400 páginas ao qual a agência Lusa teve acesso.

Na nota de abertura, o relator elenca "as contribuições de todos os que de alguma forma intervieram" nestes trabalhos, mas faz questão, "por imperativo de consciência", de "separar as águas".

"Por um lado, cumpre agradecer e saudar a colaboração prestada por todos - pessoas ou entidades, imbuídos de um espírito de efetiva colaboração e transparência - que vieram à CPIPRNBIFR ou, por escrito, prestar depoimentos genuínos, fidedignos e que se vieram a revelar úteis", enalteceu.

No entanto, para o socialista Fernando Anastácio "esta postura contrasta com a atitude de alguns intervenientes", como alguns grandes devedores, que assumiram na comissão de inquérito "uma postura de reserva nas respostas, de alegação de desconhecimento ou de falta de memória sobre certas matérias".

"A alegação de desconhecimento, efetuada nestes termos, não é de forma nenhuma compatível com as funções e responsabilidades que exercem ou exerceram nesses grupos económicos. Estes momentos ficarão para a história das Comissões de Inquérito, porquanto estão hoje bem presentes no imaginário coletivo algumas das audições desses grandes devedores. Foram momentos que geraram sentimentos de revolta, incompreensão e rejeição a este tipo de comportamentos", criticou.

Para o deputado relator, o parlamento fez o seu trabalho "e, ao fazê-lo como o fez, permitiu o escrutínio de situações ocorridas perante a opinião pública, contribuindo para a transparência e conhecimento público dos factos".

Fernando Anastácio recorda que os trabalhos decorreram entre dezembro de 2020 e julho de 2021, tendo sido "condicionados pela situação pandémica" de covid-19, o que chegou a levar à suspensão entre 03 de fevereiro e 06 de março deste ano.

Entre os números que o deputado escolheu para ilustrar os trabalhos da comissão, para além das horas de reuniões e audições, está a solicitação da documentação a 28 entidades, "o que permitiu receber 45.426 ficheiros que correspondem a 66,5 Gigabytes de informação".

"Registe-se a singularidade de uma das entidades, o Novo Banco, ter constituído uma equipa interna para fazer o tratamento e a seleção da documentação solicitada, assim como ter nomeado um diretor responsável pela coordenação das relações e contactos com a CPIPRNBIFR. A documentação recebida, com origem no Novo Banco, consiste em mais de um milhão de páginas", exemplifica.

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