Algarve confiante numa estabilização do mercado britânico

O número de turistas britânicos a visitar Portugal abrandou em 2018, mas os dados deste ano indicam uma recuperação. Presidente da Região de Turismo do Algarve acredita que os britânicos vão continuar a escolher o sul do país, entrando numa trajetória de consolidação.

Há décadas que quem passa pelo Algarve não é indiferente ao sotaque britânico. No ano passado, o número de turistas do Reino Unido - o principal mercado emissor para Portugal - abrandou, tendo suscitado receios. Contudo, em 2019 verifica-se uma recuperação do número de visitantes britânicos e o presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA) acredita que os próximos meses vão ser de consolidação.

"Vim do World Travel Market [evento de turismo], onde estive reunido com operadores, companhias aéreas e canais de distribuição, e o que disseram é que, para o Algarve, a expectativa é de consolidação", disse João Fernandes ao DN/Dinheiro Vivo, à margem do Congresso das Agências de Viagens e Turismo, que decorre na Madeira. Para isto contribui tanto o facto de "a libra já ter caído o que tinha a cair" e de estar "afastada a questão de uma saída sem acordo". Os chamados early bookings [reservas realizadas com vários meses de antecedência] serão apenas retardados por causa das eleições no Reino Unido marcadas para 12 de dezembro, considera o responsável da RTA.

Em 2018 o Algarve recebeu 4,7 milhões de turistas. Os britânicos representaram uma fatia importante embora a forte desvalorização da libra face ao euro, o aumento da concorrência dos países do norte de África e a falência da companhia aérea Monarch, que ocorreu no final de 2017 e teve efeitos nas operações em 2018, tenham penalizado a vinda de visitantes da Grã-Bretanha.

Atualmente, este mercado está a crescer, sendo no sul que se registam 65% das dormidas de britânicos em Portugal. No ano passado, os ingleses foram responsáveis por mais de 9,2 milhões de dormidas no país. Neste ano, já contam com mais de 7,5 milhões de dormidas, número acima dos primeiros nove meses de 2018.

Além disso, a falência da operadora Thomas Cook, há algumas semanas, não deverá ter efeitos sobre a atividade turística no próximo ano. "Houve empresas que tinham uma relação privilegiada com a Thomas Cook e que sentiram um impacto significativo", reconhece João Fernandes, acrescentando que, no entanto, "há até empresas no Algarve que estão a ser ressarcidas de créditos vencidos" e a negociar outros créditos, apesar de não conseguir apontar números."Temos aqui aquilo que tínhamos dito: o mercado ajusta-se a seu tempo, com uma vantagem de que, tradicionalmente, os contratos com a Thomas Cook terminavam no final de outubro e recomeçavam em abril. A operação do próximo ano à partida vai ser reposta com outros players."

Americanos e italianos

Mas não é só a língua inglesa que se ouve por terras algarvias. Apostada em captar mais mercados, a região está a piscar o olho à América do Norte. "O Canadá é uma operação que já existia e que foi reforçada. Temos voos de janeiro a outubro diretos para Toronto. Tipicamente são estadas longas no período de Inverno. Aproveitamos o facto de os canadianos estarem em diferendo comercial com os EUA, estando a reduzir a procura pelas Caraíbas, para reforçar a nossa oportunidade de até no verão trazer canadianos", conta João Fernandes.

Já os turistas brasileiros e americanos que, cada vez mais querem descobrir Portugal, começam também a rumar ao Algarve, tanto para conhecer como para avaliar oportunidades de investimento e eventualmente viver e estudar.

"Depois temos os italianos, que estão a crescer, muito à semelhança do que aconteceu com os franceses, que vêm à procura do estatuto de residente não habitual. Nos três últimos anos, o aumento do número de residentes italianos - segundo as estatísticas do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras - é de 159% no Algarve", rematou.

Jornalista viajou a convite da APAVT.

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