Traoré lembra infância num bairro onde se resolviam problemas com pistolas, tacos e facas

Jogador espanhol tem brilhado no Wolves ao serviço de Nuno Espírito Santo. Com passado no Barcelona...

Traoré tem brilhado ao serviço do Wolves de Nuno Espírito Santo e não esquece como foi difícil chegar onde está hoje. Com raízes no Mali, Adama Traoré nasceu em Hospitalet de Llobregat, numa maternidade perto de Camp Nou (Barcelona) e cresceu num bairro social chamado La Florida, o mais populoso da Europa, com cerca de 80 mil habitantes.

Foi nas ruas do bairro que deu os primeiros toques na companhia do irmão antes de se juntar ao clube da cidade, de onde saiu para o Barcelona."Os meus pais puseram-nos no futebol porque queriam que trabalhássemos a disciplina num desporto de que gostássemos e no qual nos concentrássemos. Na zona onde cresci havia muitas lutas, gangues e problemas", contou o jogador numa entrevista ao jornal Sport.

"Eu, o meu irmão e um amigo dominicano fomos todos tentados a entrar num gangue. Nessa altura, pertencer a um gangue era algo muito popular, mas eu e o meu irmão tínhamos outra forma de pensar e queríamos ser futebolistas. Não queríamos pertencer a um gangue e andar em lutas quase diariamente", recorda.

Mas nem por isso deixava de presenciar situações de violência: "Entre os gangues havia muita rivalidade e andavam à pancada constantemente. Vi pistolas e também lutas com tacos de basebol, facas, garrafas, havia de tudo", revelou o extremo dos wolves, confessando que ainda participou em algumas disputas: "Eu também andei à porrada, claro. Mas vi muitos jovens que tinham uma qualidade incrível para o futebol a deixarem-se levar pela entrada em gangues e a por causa da droga e das companhias."

Traoré investiu tudo no futebol e hoje fica feliz por saber que o bairro está mais calmo até gostava de um dia poder construir lá um campo de futebol.

A saída do clube que o formou não foi pacífica."Tive alguns problemas com o Barça que prefiro manter para mim, mas não saí da melhor maneira. Eu tive que tomar uma decisão. Se o Barça, que era o clube que eu mais amava, me desse oportunidades ou não teria de ir", explicou, revelando que não tinha problemas em ir jogar para o Real Madrid, pois a sua "mentalidade é ser o melhor possível".

A mudança física desde que foi jogar para Inglaterra é por demais evidente e o jornalista quis saber se Traoré era como Ronaldo e também fugia para ir para o ginásio: "Quando criança, eu já tinha a virtude de ser rápido, mas, na hora de travar, sofri muito, tive pubalgia, tendinite e tive que trabalhar para que meus músculos pudessem sustentar minha forma explosiva de jogar. Comecei a fazer trabalhos específicos. Sem pesos, eu sei que as pessoas não acreditam em mim. Eu faço ginástica, mas um trabalho diferente do feito normalmente, mas têm de me dizer para parar, porque eu quero sempre mais."

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG