Recorde os melhores jogos e as maiores surpresas do Boxing Day

Tradição tem mais de 150 anos. A liga inglesa já não passa sem a mítica jornada de 26 de dezembro, marcada por estádios cheio e jogos recheados de golos.

Quando os dois clubes de futebol reconhecidos pela FIFA como os mais antigos do mundo, o Sheffield FC e o Hallam FC, decidiram disputar um jogo a 26 de dezembro de 1860, jamais imaginariam estar a dar o pontapé de saída a uma tradição anual que, mais de século e meio depois, ainda se mantém ativa e tem sido marcada por grandes espetáculos e muitos golos por Inglaterra.

Inicialmente disputada no dia de Natal para desagrado de trabalhadores de serviços como os transportes, a famosa jornada do Boxing Day foi movida para o dia seguinte no final da década de 1950, com a bênção da organização da liga inglesa, mesmo após a mudança para o formato Premier League, que vigora desde 1992/93.

66 golos em 10 jogos (1963)

Comemora-se esta quarta-feira o 55.º aniversário do Boxing Day mais louco de toda a história. Provavelmente irrepetível, a jornada de 26 de dezembro de 1963 rendeu 66 golos em 10 jogos. "O que se passou no Boxing Day de 1963 foi desconcertante. Era como se os clubes estivessem a compensar a falta de jogos da temporada anterior", descreveu Ian St John, avançado do Liverpool na altura. A goleada de 10-1 do Fulham ao Ipswich ou os 8-2 com que o Blackburn esmagou o West Ham fizeram os 5-1 do Chelsea ao Blackpool, os 3-0 do Sheffield Wednesday ao Bolton ou os 2-0 do Leicester ao Everton parecerem jogos equilibrados. Nesse dia, sete jogadores apontaram hat tricks e quatro foram expulsos.

Neve e avalanche de golos no Derby County-Man. United (1970)

Uma autêntica relíquia, numa chuva de oito golos num dia de neve em Derby no final de 1970. O Manchester United de Denis Law, George Best e Bobby Charlton, viu-se a perder por 0-2, mas conseguiu virar para 3-2 com um bis de Law e um golo de Best. Depois, foi a vez da formação da casa operar uma reviravolta, antes de Brian Kidd estabelecer o 4-4 final.

Candidato Everton goleado em casa (1977)

Os últimos trinta anos mostraram um Manchester United como candidato a ganhar cada competição em que entra e um Everton com objetivos mais modestos, mas nem sempre foi assim. Em 1977, a formação de Liverpool lutava pelo título inglês enquanto os red devils ocupavam um modesto 14.º lugar. A jogar em casa, os toffees começaram por confirmar o favoritismo, conseguindo uma vantagem de 2-0, mas acabaram goleados por 2-6, gelando ainda mais o dia dos quase 50 mil adeptos que preencheram as bancadas de Goodison Park.

Nove golos na visita do Man. United a Oldham (1991)

Numa era em que os jogadores não sentiam qualquer tipo de problemas em festejar golos sempre que defrontavam clubes que já tinham representado, o lateral irlandês Denis Irwin bisou e comemorou de forma efusiva em Oldham, um ano e meio depois de ter de lá saído. Além de ter inaugurado o marcador aos 2 minutos, deu o 3-2 ao Manchester United aos 53'. Depois, os red devils arrancaram para uma goleada histórico, num dos jogos com mais golos da história do Boxing Day. O 3-6 final foi sentenciando por um jovem de 18 anos chamado Ryan Giggs.

Man. United recupera de desvantagem de três golos (1992)

Alex Ferguson já levava seis anos à frente do Manchester United mas ainda não tinha conquistado qualquer título nacional quando viu a vida a andar para trás em Hillsborough, quando aos 60 minutos os red devils perdiam por 3-0 diante do Sheffield Wednesday. No entanto, um bis de Brian McCLair no espaço de 13 minutos levou o jogo para uma reta final caótica, onde emergiu o então recém-contratado Eric Cantona, que apontou o golo do empate. Após uma recuperação épica, a equipa de Old Trafford embalou para a conquista do título, que lhe fugia há 26 anos, e iniciou uma era dourada na liga inglesa, vencendo 13 campeonatos em 20 anos.

Coventry City surpreende o Arsenal (1999)

Numa fase em que as equipas de menor dimensão da liga inglesa ainda não recebiam uma verba tão invejável relativamente a direitos televisivos ou eram propriedade de magnatas de países distantes, o Arsenal de Arsène Wenger deslocou-se ao terreno do Coventry City na esperança de se manter na perseguição ao líder Manchester United, que na temporada anterior tinha conquistado liga, taça e Champions. No entanto, os sky blues chegaram ao intervalo a vencer por 2-0, com o segundo golo a ser apontado por Mustapha Hadji, médio marroquino que duas épocas antes tinha representado o Sporting. Os gunners reduziram a desvantagem por Ljungberg, mas viram um jovem de 19 anos chamado Robbie Keane fazer o 3-1 para os da casa. Aos 86 minutos, o avançado croata Davor Suker voltou a reduzir para os londrinos e lançou o jogo para minutos finais caóticos, mas os três pontos ficaram mesmo em Coventry e o Arsenal disse praticamente adeus ao título, tendo terminado a temporada a 18 pontos do United.

Charlton estraga primeiro Natal de Abramovich no Chelsea (2003)

O primeiro Natal do magnata russo Roman Abramovich como proprietário do Chelsea começou a ser estragado em... 42 segundos, quando o islandês Hreidarsson deu vantagem ao Charlton, num dérbi de Londres disputado no Estádio The Valley. John Terry empatou para os blues aos 10 minutos, mas não impediu que a equipa da casa arrancasse para uma vitória folgada, tendo mesmo chegado aos 4-1 no início da segunda parte para desespero da formação comandada por Claudio Ranieri, que tinha jogadores como Marcel Desailly, Claude Makélelé, Joe Cole, Adrian Mutu, Frank Lampard ou Jimmy Hasselbaink em campo. Outro islandês, Eidur Gudjohnsen, reduziu para o Chelsea aos 73 minutos e atenuou um resultado que já estava a ter contornos de goleada.

Reviravoltas e expulsões no 4-4 entre Chelsea e Aston Villa (2007)

Poucos meses após José Mourinho ter abandonado pela primeira vez o Chelsea e ser rendido pelo israelita Avram Grant, os blues protagonizaram um dos mais empolgantes jogos da história do Boxing Day. Depois de Shaun Maloney ter bisado para o Aston Villa, a equipa de Birmingham ficou reduzida a dez à beira do intervalo e viu os londrinos operarem a reviravolta em Stamford Bridge, com bis de Shevchenko e um golo de Alex. Os visitantes restabeleceram a igualdade, ainda antes de Ricardo Carvalho à entrada para a reta final do encontro. Nos últimos dez minutos, Ballack voltou a adiantar o Chelsea, mas uma mão na bola de Ashley Cole já em tempo de compensação não só resultou na expulsão do lateral inglês como no penálti que Barry converteu no golo que sentenciou o 4-4 final.

Man. United vence após estar três vezes a perder (2012)

O Manchester United de Alex Ferguson ficou famoso pelas reviravoltas e, na época da despedida do técnico escocês, que foi também a do último título do clube, deu a volta a um jogo em que esteve a perder por três vezes frente ao Newcastle, em Old Trafford. Sempre que os magpies se colocavam em vantagem, os red devils encontravam forma de empatar. Aos 71 minutos, pouco depois de Papiss Cissé ter dado o 2-3 ao Newcastle, Robin Van Persie colocou o resultado em 3-3. E quando tudo apontava para que a igualdade persistisse até ao apito final, Javier "Chicharito" Hernández aproveitou um cruzamento de Michael Carrick para apontar o golo da vitória, aos 94 minutos.

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