Portugal entra mal e perde com a Islândia. Selecionador queixa-se das regras

Depois dos triunfos históricos frente à França e à Suécia, a seleção portuguesa deu-se mal no confronto com os islandeses (28-25)

Depois de dar que falar pelos triunfo frente à França e à Suécia, a seleção portuguesa de andebol perdeu, este domingo, com a Islândia, por 28-25, em jogo da segunda jornada do Grupo II da ronda principal do Euro2020, em Malmö. A derrota dificultou o objetivo de obter a melhor classificação de sempre num Europeu de andebol (sétimo lugar em 2000) e a possibilidade de um apuramento para as meias finais do europeu.

Portugal recuperou de um início desastrado, em que esteve a perder por 7-1, mas o modelo atacante sete contra seis, com o qual tinha surpreendido na sexta-feira a Suécia (35-25), não se mostrou tão afinado frente aos islandeses.

A equipa nacional foi igualada pela Islândia, ambas com dois pontos e mais um jogo do que as restantes quatro seleções, num grupo liderado por Noruega e Eslovénia, que defrontam ainda hoje a Suécia e a Hungria, respetivamente, e podem distanciar-se na corrida às meias-finais.

Portugal, que regressou ao grande palco do andebol europeu após 14 anos de ausência, tinha entrado na segunda fase do torneio com o ónus da derrota (34-28) com os noruegueses, uma vez que as seleções apuradas na fase preliminar transportam para o main round o resultado entre si.

Com o objetivo de melhorar o sétimo lugar alcançado em 2000, na Croácia, a seleção terá agora de terminar, pelo menos, no terceiro lugar do Grupo II. O próximo jogo é com a Eslovénia na terça-feira.

Erros e desconcentração no início do jogo

O selecionador deixou André Gomes, a recuperar de uma lesão muscular, de fora dos eleitos para o encontro, que a equipa das quinas iniciou com muitos erros ofensivos, tendo marcado o primeiro golo em cima dos nove minutos, numa altura em que os nórdicos venciam por 4-0 e tinham um jogador excluído.

Paulo Pereira pediu pouco depois a primeira paragem, para tentar corrigir os erros cometidos na fase inicial, mas os islandeses ainda chegaram ao 7-1, antes de Portugal reagir com um parcial de 4-0 e reduzir para apenas um golo de desvantagem, chegando ao intervalo a perder por 14-12.

A seleção nacional utilizou pela primeira vez o modelo atacante sete contra seis e foi dessa forma que chegou, também pela primeira vez, à igualdade (14-14), e depois à vantagem (17-16), mas dois golos islandeses, perante uma baliza portuguesa deserta, levaram Paulo Pereira a novo desconto de tempo.

Portugal foi mesmo penalizado por ter estado, momentaneamente, com oito jogadores em campo, durante a transição defensiva quando utilizava o seu sistema atacante alternativo, permitindo que a Islândia restabelecesse a vantagem de três golos perto do meio da segunda parte.

Foi com um sistema tático conservador que a equipa portuguesa reequilibrou as operações, mas, quando entrou nos três minutos finais a perder por 26-24, Paulo Pereira recorreu de novo ao sete contra seis, desta sem vez os efeitos pretendidos, até porque a Islândia pareceu mais bem preparada para o defender do que a Suécia.

"Adoro este desporto, mas às vezes odeio-o porque as regras não são muito claras"

"Acho que aos nove ou 10 minutos estava 7-1. Entrámos muito mal no jogo e pagámos a fatura. Eu adoro este desporto, mas às vezes odeio-o porque as regras não são muito claras. Há coisas que não se entendem, mas é o que temos. Deixem-nos sonhar! É uma questão de quem é o melhor e a Islândia entrou melhor do que nós. Acabámos por não conseguir jogar um bom sete contra seis, como é hábito. Voltámos para o seis para seis e jogámos bem, mas aquele início foi fatal", admitiu o selecionador nacional, Paulo Pereira, reafirmado: "As regras não são claras. Eu detesto a modalidade nessa parte. Há muita gente que pensa como eu. As regras não são claras, interpretem como quiserem."

Para Rui Silva o cansaço veio ao de cima. "Eles colocaram-nos muitas dificuldades, insistiram muito no um contra um e depois veio muito ao de cima o cansaço. É uma competição com muitos jogos seguidos, é óbvio que isso não é justificação. Temos algum cansaço físico e mental, mas estamos aqui na luta, para ter no mínimo dois jogos e ganhá-los", lembrou o jogador português.

Quanto a António Areia, promete dar a volta já no próximo jogo: "Tínhamos capacidade para vencer a Islândia, não foi possível. Como já demos a volta a um resultado negativo (vitória frente à Suécia após derrota com a Noruega), vamos dar uma resposta já no próximo jogo."

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