Messi admite que pensou deixar Espanha devido aos problemas com o fisco

O argentino Lionel Messi, do Barcelona, admitiu esta quarta-feira, numa entrevista à rádio catalã RAC1, que admitiu sair de Espanha, após um problema com o fisco, que envolveu outros jogadores, como Cristiano Ronaldo, porque se sentiu maltratado.

"Foi uma época em que eu e a minha família passámos muito mal. Fui o primeiro [visado pelo fisco] e foi por isso que foi tão difícil. Mostraram que, começando por mim, podiam chegar a qualquer jogador e assim foi", afirmou Lionel Messi.

Na altura, durante as acusações de fuga ao fisco de que era alvo pela agência tributária espanhola, Messi chegou a equacionar jogar noutro país, não por pretender deixar o Barcelona, mas por não se sentir bem em Espanha. "Senti-me muito maltratado e não queria estar aqui. Tive muitas portas abertas, mas nunca uma proposta oficial porque todos sabiam do meu desejo de continuar [no Barcelona]", disse Messi, que tem já a sua situação fiscal resolvida.

Neste momento, o argentino diz não se imaginar a jogar noutro clube ou a morar noutro lugar que não seja a capital catalã e admite mesmo terminar a carreira no Barcelona.

"Hoje, está cada vez mais claro que a minha ideia e a da minha família é a de terminar aqui. Primeiro, pelo modo como estou no clube e pelo que sinto por ele. Segundo, pelo aspeto familiar, por nos sentirmos bem na cidade", disse o argentino.

Messi recordou que os seus filhos "são catalães" e que a sua vida e os seus amigos estão na Catalunha. Esta é a principal razão pela qual não há mudança de ar: "Quando criança, eu vivi isso e não gostaria que eles passassem pela mesma coisa".

O argentino natural de Rosário admitiu que jogar no Newell'S Old Boys, o clube em que jogou antes de assinar pelo Barcelona aos 12 anos, é "um sonho" que tem desde muito jovem, mas certamente não se realizará.

Messi, que aos 32 anos não sabe quantos mais continuará a jogar, gostaria de "viver a aventura" de experimentar o futebol argentino como profissional, mas defende que, quando pensa nisso, coloca a família em primeiro. "Eu pondero todos os anos [a continuação]. Já entrei numa idade em que começa a custar. É normal e lógico. Mas não direi que jogarei até os 35 ou 36 anos e depois descubro que já não me mexo. Quero jogar, mas bem", disse o argentino.

Debelada a lesão que o limitou no início da época, Lionel Messi tranquilizou os adeptos catalães, garantindo que estará brevemente ao mais alto nível, e assegura que o Barcelona tem um plantel que pode ganhar todas as competições em que está envolvido.

Questionado se não se sentiria desiludido se não tivesse vencido este ano a sua sexta Bola de Ouro, um prémio para o qual também concorria Cristiano Ronaldo, Messi relativizou as distinções individuais, que "são um lindo reconhecimento, mas não uma prioridade". "Deceção seria passar mais um ano sem ganhar a Liga dos Campeões. Este é o objetivo de todos: voltar a conquistar este troféu, que há quatro ou cinco anos não erguemos, e trazê-lo novamente para Barcelona", rematou.

Exclusivos

Premium

Espanha

Bolas de aço, berlindes, fisgas e ácido. Jovens lançaram o caos na Catalunha

Eram jovens, alguns quase adultos, outros mais adolescentes, deixaram a Catalunha em estado de sítio. Segundo a polícia, atuaram organizadamente e estavam bem treinados. José Manuel Anes, especialista português em segurança e criminalidade, acredita que pertenciam aos grupos anarquistas que têm como causa "a destruição e o caos" e não a luta independentista.