Maria e Raquel partiram rumo a Tóquio a pedalar pela Nacional 2

Atletas olímpicas vão pedalar entre Chaves a Faro pela estrada mais longa de Portugal. Com os olhos postos no Japão.

Maria Martins, a jovem que vai levar Portugal pela primeira aos Jogos Olímpicos em ciclismo de pista, iniciou esta quarta-feira uma viagem pela Estrada Nacional 2 (EN2), entre Chaves e Faro. Na roda, leva Raquel Queirós, que acalenta o sonho do BTT feminino se estrear para o ano no Japão. Conhecem-se bem uma à outra, mas não a estrada que vão percorrer. É mais uma semana de treinos, rumo à Tóquio, mas por paisagens muito diferentes. E promovem o ciclismo.

As atletas partiram esta manhã da Chaves, numa viagem que é apadrinhada pela Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC). Tudo começou com uma ideia da Maria Martins: "Ocorreu-me durante o período da quarentena, queria fazer a EN2 sozinha, para me ​​​​​​pôr à prova. Mas depois surgiu a possibilidade de partilhar esta minha iniciativa para promover o ciclismo feminino, o que é ótimo. Juntam-se duas atletas que vão fazer história ao ir aos Jogos Olímpicos. É importante divulgar esse feito".

Pela Estrada Nacional 2 rumo a Tóquio, assim se chama a viagem, que integra a campanha da FPC "Pedalar é vital, inspira Portugal". A iniciativa foi lançada para estimular o uso da bicicleta e, entre outras medidas, prevê novos apoios na filiação.

"As duas atletas dão a cara por uma causa. Porque pedalar é vital, querem inspirar Portugal a usar cada vez mais a bicicleta, em diferentes contextos: treino e competição, recreio, lazer e turismo, sem esquecer a mobilidade ativa", explica a FPC.

Maria Martins é de Santarém e Raquel Queirós de Vila do Conde. E, segundo contam, apenas as distâncias geográficas as separam. Têm ambas 20 anos, correm juntas no BTT desde pequenas, fazem parte do Projeto Olímpico português.

"Surgiu a ideia de acompanhar a Maria e aceitei o desafio, além de estar a praticar a modalidade, esperamos atrair desportistas", conta a Raquel.

Nenhuma das duas conhece a EN2, o que não as parece assustar. "É um percurso desafiante, nunca fiz nada do género, e partilhar isso com a Maria vai ser fantástico. Ela é uma atleta fenomenal, que tem muito para dar ao desporto português e eu tenho de enfrentar desafios, pôr-me à prova. E este é um bom começo", justifica a Raquel.

Cinco etapas e 715 km de Chaves a Faro

A viagem é feita em cinco etapas, com início sempre às 10:00. Começaram esta manhã em Chaves, pedalando sem parar até Castro Daire, percorrendo 134,4 km. Seguem na quinta-feira para Góis (133,7 km); na sexta-feira até Ponte de Sor (148,5 km); de onde partem no sábado para Aljustrel (182,1 km); terminando no domingo em Faro, com os últimos 117,2 km . Ao todo, são 715,9 Km.

Na capital algarvia, está prevista uma visita ao Refúgio Aboim Ascensão e a entrega de bicicletas às crianças ali acolhidas, "porque é importante entusiasmar as novas gerações para os mundos que o ciclismo nos abre", defende a Federação.

Maria Martins só conhece uma parte da EN2, no Alentejo, e percorreu-a de carro. Sente que poderá ter mais dificuldades no percurso inicial, mas as etapas finais não se advinham menos difíceis. "A parte do Norte é que apresenta mais dificuldades a nível do terreno, mas, chegando ao Alentejo, apanhamos com outras dificuldades: mais calor, as etapas são maiores e há o cansaço acumulado. São dias em que podemos desfrutar um pouco mais do ciclismo e de Portugal. No fundo, é um treino mais livre".

Maria fez o 12.º ano e dedicou-se inteiramente ao ciclismo, até porque tinha como meta a participação nos Jogos Olímpicos, que deveriam começar no próximo mês e foram adiados para o ano. A pandemia suspendeu tudo. "Vínhamos todos lançados e é como bater num muro a 200 Km/hora. Foi um choque brutal para toda a gente, mas foi a atitude sensata para todos. É uma situação complicada mas a saúde está primeiro".

Raquel concilia os treinos com os estudos na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Treina entre 15 a 19 horas por semana.

"Esta viagem mostra a riqueza e multiplicidade do ciclismo, que abrange a atividade desportiva - competitiva e não competitiva -, o turismo e a descoberta dos territórios, a mobilidade, a capacidade de unir o Norte e o Sul, o interior e o litoral, sempre numa perspetiva solidária", salienta o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Delmino Pereira.

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