Quem é o português que treina a equipa da terceira divisão suíça que venceu o Sporting?

Pedro Silva é treinador do Rapperswil-Jona, clube da terceira divisão suíça que na quarta-feira ganhou ao Sporting.

Natural de Aveiro, Pedro Silva, hoje com 41 anos, era um jogador "com talento a mais para jogar na antiga 2.ª B ainda júnior". De tal forma que quando passou a sénior e um clube o quis contratar exigiu que ele deixasse a outra profissão que tinha, músico, ele mediu os prós e contra financeiros e optou por ser músico. Mas o bichinho do futebol ficou e ele começou a tirar cursos de treinador a abriu uma escola de futebol em Aveiro. Depois mudou-se para Lisboa por amor e as propostas começaram. Hoje é treinador do Rapperswil-Jona, clube da terceira divisão suíça que ganhou ao Sporting.

Não se vê como emigrante. Foi para a Suíça para trabalhar no futebol. Treinou o 1 Dezembro, Mafra, Belenenses, Oeiras até que um português radicado no país e que trabalha no Grassopers, José Ribeiro (ex-jogador do FC Porto), o convidou a ir conhecer as instalações do Rapperswil-Jona, clube da localidade de Rapperswil, arredores de Zurique. Ele foi e deu o treino durante uma semana, mas não ficou. Passado um ano voltou, mas ainda não foi dessa que ficou. Entretanto quando estava no Mafra surgiu a oportunidade de ir treinar para a segunda liga chinesa: "Eramos muito na equipa técnica e os papeis atrasaram e o presidente do clube mudou de ideias e eu fiquei sem clube, felizmente as pessoas do Rapperswil-Jona lembraram-se de mim."

Foi então convidado a liderar a formação do emblema de Zurique, que tem cerca de 800 jogadores. Só depois se dá a oportunidade de começar a treinar. No ano passado o clube vivia tempos difíceis na II liga suíça, o que levou à troca de treinador. "Colocaram duas pessoas a treinar a equipa que não tinham a certificação necessária e a federação suíça soube e deu 20 dias ao clube para resolver a situação e como o clube não conseguiu arranjar ninguém nesses 20 dias a solução fui eu, que tinha a certificação UEFA PRO. Fiquei então eu e os outros dois a treinar, até que no final da época depois de descermos de divisão, por um golo, me perguntarem se queria continuar sozinho", contou ao DN.

Apesar da falange de emigrantes, a Suíça não é um destino nada comum para os técnicos portugueses. Se calhar, e segundo o treinador português, isso deve-se ao facto de os clube exigirem que os técnicos falem fluentemente a língua do cantão (região) para onde vão treinar e há a parte francesa, a italiana e a alemã:"Eu devo ser uma exceção nacional, visto que cheguei e nem um palavra de alemão sabia e isso não caiu muito bem a alguma pessoas do clube e da cidade, mas é coisa que se pode superar."

A pré-época para o modesto clube suíço não podia ser mais exigente para a equipa de Rapperswil-Jona com apenas duas semanas de treino. Começaram com um jogo com o campeão Young Boys, que estiveram a ganhar e perderam, depois jogaram com Xamax da I liga suíça (1-1), jogo que terminou empatado, a seguir uma derrota frente ao Zurique (3-1) e depois mais uma derrota com o Grassopers (3-2), jogo em que estiveram a ganhar por 2-0, e finalmente o Sporting, que venceu: "Tive azar com a pré-época, mas foram jogos de exigência máxima e bons para a equipa."

Depois de jogar com o Sporting é preciso lembrar que "foi um jogo normal de pré-época, frente a uma equipa com apenas uma semana de treino, a jogar fora do país e num estádio tão pequeno, num jogo de motivação moderada, com muitos jogadores jovens". Tudo isso "não desculpa, mas ajuda a explicar", na opinião de Pedro Silva: "O normal era eu ter levado muitos e perdido por muitos golos, não aconteceu... não vamos culpabilizar o Sporting nem colocar a minha equipa em patamares pouco realistas. Em 100 jogos eu só ganhava este."

O que conta é que ganhou ao Sporting e ele sabe porquê. "O que eu tentei explicar aos meus jogadores é que sem espaço eles não iam conseguir jogar, por isso disse-lhes que tínhamos de ter sempre mais um ou dois jogadores sobre a bola do que eles e fomos bem sucedidos", explicou o técnico que depois do jogo viu chover mensagens e telefonemas , algumas profissionais."Digamos que houve pessoas a ligar para perguntar sobre a minha situação..."

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