Bruno de Carvalho não foi ouvido, diz Ministério Público

Antigo presidente do Sporting quis prestar declarações por iniciativa própria, diz fonte próxima de Bruno de Carvalho. Ministério Público remeteu para o DIAP que agora vai apreciar o pedido de audição

"Confirma-se que o advogado de Bruno de Carvalho se apresentou no DCIAP, requerendo que o seu constituinte fosse ouvido no âmbito do processo relacionado com as agressões em Alcochete. O advogado foi informado de que este inquérito é dirigido pelo Ministério Público do DIAP de Lisboa. Neste contexto, advogado dirigiu um requerimento ao DIAP de Lisboa, requerimento, esse, que será apreciado no âmbito do referido processo."

É assim que o Ministério Público esclarece o que aconteceu esta manhã, não confirmando sequer que o ex-presidente do Sporting esteve nas instalações. Segundo o comunicado do MP, o advogado de Bruno de Carvalho entregou um requerimento para que o ex-presidente fosse ouvido no DCIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal), mas como o processo das agressões em Alcochete está no DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal) de Lisboa, o pedido foi reencaminhado para a entidade certa que agora avaliará o requerimento apresentado.

Segundo fonte citada pela Lusa, o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho ter-se-ia apresentado hoje "voluntariamente" no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) para prestar declarações sobre a invasão à Academia do clube, disse à Lusa fonte próxima do antigo dirigente.

De acordo com a mesma fonte citada pela Lusa, Bruno de Carvalho teria decidido apresentar-se no DCIAP por iniciativa própria, disponibilizando-se para prestar declarações no âmbito do inquérito ao ataque à Academia do Sporting, em Alcochete, em 15 de maio último, e na sequência de notícias que dão conta de um alegado envolvimento nesta ação. Mas essa presença não é referida pela nota do Ministério Público, que apenas fala na entrega do requerimento por parte do advogado de Bruno de Carvalho.

Esta iniciativa ocorre um dia depois de o funcionário do Sporting Bruno Jacinto ter sido ouvido em primeiro inquérito judicial, no âmbito do mesmo processo, e ter ficado em prisão preventiva.

Detido na terça-feira, Bruno Jacinto, que na altura das ocorrências era oficial de ligação aos adeptos, está indiciado, entre outros, pela prática, em coautoria, de mais de 20 crimes de ameaça agravada, 12 crimes de ofensa à integridade, 20 crimes de sequestro e um crime de terrorismo.

Bruno Jacinto é já o 38.º elemento em prisão preventiva por alegado envolvimento nos incidentes de 15 de maio na academia do Sporting, em Alcochete, em que cerca de 40 alegados adeptos do clube, encapuzados, agrediram alguns jogadores, treinadores e 'staff'.

Os 38 arguidos que aguardam julgamento em prisão preventiva, entre eles o antigo líder da claque Juventude Leonina Fernando Mendes, são todos suspeitos da prática de diversos crimes, designadamente de terrorismo, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada, sequestro e dano com violência.

Na sequência do ataque à Academia do Sporting, nove futebolistas rescindiram os contratos com o clube.

Rui Patrício, Rafael Leão, Daniel Podence, Gelson Martins e Ruben Ribeiro saíram em litígio com o Sporting e transferiram-se para outros clubes.

Bas Dost, Bruno Fernandes e Rodrigo Battaglia voltaram atrás na decisão de abandonar o Sporting, enquanto William Carvalho saiu para o Bétis, de Espanha, após acordo do clube espanhol com os 'leões'.

Já no início deste mês, o Tribunal da Relação de Lisboa manteve em prisão preventiva oito dos suspeitos do ataque, revelou a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.

O Tribunal da Relação de Lisboa ainda tem de pronunciar-se sobre os restantes recursos interpostos pela maioria dos detidos neste processo.

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