Fernando Santos, os avançados mamistas, os matraquilhos e a lesão de André Gomes

Selecionador nacional chamou 25 jogadores para o duplo compromisso, com a Lituânia e o Luxemburgo, de apuramento para o Euro2020. Lista marcada por cinco ausências por lesão.

"Ganhar. A estratégia é ganhar, marcar golos e não deixar que o adversário marque. Vamos ganhar os jogos e vamos lá estar, no Europeu de 2020". Palavra de selecionador nacional, antes do decisivo duplo compromisso da seleção nacional, frente à Lituânia (dia 14) e ao Luxemburgo (dia 17).

A Ucrânia, que já garantiu o primeiro lugar do Grupo B, soma 19 pontos, seguido de Portugal, com 11, da Sérvia, com 10, do Luxemburgo, com quatro, e da Lituânia, que tem apenas um.

Portugal está assim obrigada a vencer ambos para assegurar o segundo lugar do grupo B e o apuramento direto para o Euro2020. E sem pensar na Sérvia, que tem menos um ponto: "Temos de ganhar dois jogos, só temos de pensar em nós e não na Sérvia. Sempre dissemos aqui, sempre cumprimos o objetivo de nos qualificarmos. O segundo era o primeiro lugar. Mas não acontece e não é por aí, já aconteceu no futebol português. Vamos para um grupo e achamos que vai ser mais fácil ou mais difícil, mas o importante é continuarmos em frente."

Depois de revelar uma lista de convocados com 25 jogadores, Fernando Santos foi questionado sobre um possível problema físico de Ronaldo, que saiu "tocado" do jogo com o Lokomotiv de Moscovo na quarta-feira, e disse não ter "indicação nenhuma" sobre isso e que "todos os convocados estarão aptos para darem o seu melhor".

De fora e por lesão ficaram William Carvalho, André Gomes, Gonçalo Guedes, Rafa e João Félix. A lesão grave do jogador do Everton "impressionou" o técnico: "[Recebi a notícia] Com muita tristeza, falei com o jogador, foi assustador, mas as coisas não são tão graves como pareceram. Recebi uma mensagem de um dos meus colaboradores. Vi as imagens e foi muito triste, é uma lesão diferente. O André já passou por momentos difíceis, mas vai voltar e o futuro será brilhante. Nós, Portugal, e o Mundo inteiro estamos de forma solidária com o André."

Quanto à ausência de William (foi operado a uma hérnia discal), o selecionador aproveitou para explicar que ele "nunca foi posição seis. "Desde que o Danilo chegou à Seleção, eles jogaram muitas vezes juntos. William e Danilo não colidem nada um com o outro, jogaram muitas vezes juntos. O William não é um seis puro, para mim não é. Pode jogar nessa posição, mas acho que o William é muito abrangente, pode ser transportador de jogo, pode jogar a avançado, pode jogar mais perto do ponta de lança. Acho que ele está bem em qualquer lado, mas o William não está cá. Não entra para este jogo", explicou o treinador nacional.

Sofrer menos golos e atacar bem: "Senão é como os matraquilhos"

Os próximos jogos são com a Lituânia e o Luxemburgo. "Os jogadores conhecem bem as equipas, não perder muito mais tempo a explicar. Obviamente que da primeira vez havia a preocupação de dar a conhecer as características do adversário, mas jogámos recentemente e os meus jogadores sabem bem o que são as equipas e a qualidade dessas equipas. Agora, não é fácil jogar olhos nos olhos com Portugal, mas vamos pensar de forma simples, ser agressivos e jogar com alma. Portugal tem excelentes profissionais, sempre teve", avisou.

Portugal tem sofrido mais golos no apuramento para o Euro2020 do que é habitual. Só com o Luxemburgo não sofreu golos. Confrontado se ia dedicar algum tempo a isso no treino, lamentou nem ter tempo para treinar: "Não vou treinar. Agora é que não tenho tempo para treinar. Vão fazer um treino de recuperação, na quarta de adaptação ao estádio e depois vamos para o Luxemburgo, mas vamos tentar retificar alguma coisa que acreditamos não estar tão bem, mas às vezes confunde-se o não sofrer golos. As equipas que têm condições de marcar golos ficam mais perto de ganhar, mas há o outro lado. Então se estamos preocupados com a defesa é porque estamos a jogar para não perder. Não é nada disso. Cada vez mais no futebol se olha para os dois lados. Em primeiro lugar olhar para marcar golos e depois para não sofrer."

Com o primeiro lugar do grupo entregue à Ucrânia, o que Portugal tem de fazer nos jogos decisivos para se apurar para o próximo campeonato da Europa: "O que Portugal tem de fazer é atacar bem, com muitas dinâmicas, senão é como os matraquilhos. Uma equipa dinâmica, objetiva, não acredito que nos dê muito espaço para explorar a profundidade. Na Lituânia até fizemos bem a saída de uma bola parada, explorámos bem a profundidade. O adversário vai obrigar-nos a encontrar soluções. É importante ter garantias em termos competitivos, além de que a forma de atracar a transição ataque defesa é muito importante, queremos ter a posse de bola durante muito mais tempo, de modo a criar mais oportunidades", alertou Fernando Santos, confessando que não o preocupa o pote onde vai ficar : "O que me vai preocupar são estes dois jogos. Gosto de jogar contra adversários poderosos. É melhor para nós".

Gonçalo Paciência, Éder e André Silva e os avançado mamistas

Questionado sobre a convocatória de Gonçalo Paciência, Éder e André Silva e se isso significa jogar com um nove puro, Fernando Santos explicou: "Estamos a falar de um futebol que já não existe. Aquilo que considerava e considero tem a ver com um jogador fixo, que se situa só nessa área. Na minha altura chamava-se a esses jogadores os 'pontas de mama' e jogadores como esse, hoje em dia, o futebol não utiliza. Não quer dizer que não haja avançados com características mais próximas disso. Eu que me lembre, em Portugal, lembro-me do Rui Águas, Fernando Gomes e depois tinha de recuar um bocado para encontrar jogadores com essas características. O Pauleta era um jogador que jogava no tal 9, mas não tinha essas características. O Domingos não era igual ao Jardel, esse sim [Jardel] era um ponta de lança de mama, claro. Falei do Domingos, mas também o Nuno Gomes, que não têm essas características. Portugal tem jogado sempre com avançados, o Cristiano Ronaldo também pode ser um avançado nesse sentido, mas não se situam só nesse espaço do campo. Qualquer um destes jogadores que aqui está, há uns que reúnem condições mais próximas dessas características. O Gonçalo, o André e o Éder têm mais essas características, mas eles nunca jogam sozinhos. Aqui não há a questão do 9".

Sobre a presença de dois avançados do Eintracht Frankfurt , o selecionador nacional lembrou a boa forma de ambos. "O Paciência, a única vez que veio jogava no Setúbal e quem o convocou foi o Fernando Santos, por acaso. Não é novidade nenhuma a qualidade do Paciência. Ele estava em grande forma no [Vitória de] Setúbal, mas depois no FC Porto as coisas acabaram por não correr bem e agora está a jogar com regularidade e bem. O André também apareceu e está a jogar bem." E quantas mais opções melhor: "Vamos jogar na quinta-feira e no domingo e não vamos ter 72 horas sequer de recuperação. Os tempos de recuperação são curtos e há que ter atenção a estes dados e definir a equipa da melhor forma".