Plantel do Vit. Setúbal já voltou aos treinos

Jogadores tinham decidido fazer greve aos treinos devido aos ordenados em atraso. Insolvência da SAD pode colocar a época em risco no Campeonato de Portugal.

O plantel do Vit. Setúbal voltou esta quarta-feira aos treinos depois de na terça-feira ter recusado treinar e ameaçar fazer greve devido aos ordenados em atraso. A época só agora começou, mas a situação já se arrasta desde o final da temporada passada e diz respeito aos sub-23 incluídos no plantel principal, com o rebaixamento ao Campeonato de Portugal.

Os capitães resolveram tomar uma posição de força e informar a equipa técnica, liderada por Alexandre Santana, da decisão de faltar aos treinos, uma vez que não conseguiam respostas do presidente Paulo Gomes, que colocou o lugar à disposição e aguarda pelo sucessor que será conhecido nas eleições de outubro.

Segundo soube o DN, depois de o grupo recusar treinar, o líder sadino aceitou reunir com Semedo, João Meira e Zequinha para ouvir as queixas dos atletas, sendo que há futebolistas a passar dificuldades. O Sindicato de Jogadores já pediu inclusive para ser feito o levantamento da situação, de forma a acionar o plano de ajuda aos mais carenciados.

Com 110 anos de história, três Taças de Portugal (1964-65, 1966-67, 2004-05), uma Taça da Liga (2007-08) e 77 presenças no escalão principal, o Vitória atravessa uma crise desportiva e financeira e enfrenta mesmo algumas penhoras. O treinador Lito Vidigal, que salvou a equipa de descer de divisão em campo, antes de o clube ser condenado ao rebaixamento ao terceiro escalão na secretaria, acionou a justiça para receber os cerca de 200 mil euros em salários e prémios.

O próprio plano de recuperação financeira está em perigo e pode mesmo levar à insolvência da SAD, uma vez que os pressupostos que levaram à sua aprovação assentavam numa presença na I Liga e não no Campeonato de Portugal, para onde foi rebaixado por não ter preencher os requisitos financeiros para a inscrição no campeonato.

No total, a dívida da SAD vitoriana é de 24 milhões de euros. Segundo o documento a que o DN teve acesso, só a dívida ao Estado português é de 5,4 milhões de euros (3,4 à Autoridade Tributária e 1,8 à Segurança Social). Dívida que os sadinos se comprometem a pagar em 150 prestações. A dívida a fornecedores e a outros credores chega quase ao milhão de euros e os financiamentos obtidos superam os 17,6 milhões de euros (3,8 no Banco Comercial Português e 13,7 na Parvalorem, a entidade pública criada para gerir os ativos tóxicos do antigo BPN).

Em setembro, o Conselho Fiscal e Disciplinar apresentou uma queixa-crime contra o anterior conselho de administração da Sociedade vitoriana, por suspeitas de desvio de dinheiro numa transferência.

Sócios aceitam terrenos e recusam dá-los como garantia à SAD

Os sócios do Vitória de Setúbal aceitaram esta terça-feira, em Assembleia-Geral, a doação da Câmara Municipal de 65 lotes de terrenos, recusando dar autorização à direção sadina para hipotecar os mesmos lotes a favor da Autoridade Tributária.

Na pergunta feita aos sócios no primeiro boletim da AG, realizada na sala do Bingo, no Estádio do Bonfim, em que participaram 607 associados, registaram-se 527 "sim", 67 "não" e 10 votos brancos/nulos. Enquanto a questão do segundo boletim foi recusada com 414 "não", 172 "sim" e 18 brancos/nulo.

Ao aceitarem a doação do município, de 65 lotes de terrenos sitos em Praias do Sado, num valor global que ultrapassa os 800 mil euros, o Vitória aceita a doação dos terrenos feita pela Câmara Municipal e os terrenos ficam sendo propriedade do clube, livres de ónus e encargos.

Ao votarem maioritariamente "não" no segundo boletim, os associados, uma vez que aceitaram os terrenos na primeira pergunta, recusam hipotecá-los à Fazenda Nacional (Autoridade Tributária/Finanças) como garantia de pagamento das dívidas da SAD, ficando este ónus registado e impedindo o clube de deles dispor livremente.

Os sócios do Vitória de Setúbal, clube que foi relegado da I Liga ao Campeonato de Portugal por incumprimento dos pressupostos para se inscrever nas provas profissionais, voltam em 18 de outubro às urnas, dessa vez para elegerem os novos órgãos sociais.

* Peça alterada esta quarta-feira, após esclarecimentos do Conselho Fiscal e Disciplinar do Vitória Futebol Clube.

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