Clube brasileiro despede 30 funcionários. Um deles o roupeiro que estava em funções há 50 anos

Devido à falta de receitas em virtude da crise gerada pela pandemia de covid-19, o ABC, clube da cidade de Natal, foi obrigado a despedir funcionários. Fãs e ex-jogadores estão revoltados com a dispensa de Joca, o funcionário mais antigo e emblemático do clube.

Sem receitas devido à paragem dos campeonatos brasileiros devido à pandemia de covid-19, o ABC, clube da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, no Brasil, despediu esta semana 30 funcionários, desde jogadores de futebol, a administrativos e elementos do marketing, passando pelo roupeiro, uma figura do clube que trabalhava no ABC há 50 anos. Num comunicado, o emblema de Natal, que disputa os estaduais do campeonato brasileiro, informou que este despedimento era "vital para a continuidade das atividades do clube".

Ainda de acordo com a nota emitida pelo clube, a "medida foi necessária em virtude do impacto económico gerado pela pandemia do novo coronavírus, que levou à paralisação de todas as competições nacionais e estaduais, além da suspensão de patrocínios dos parceiros junto do clube". Os responsáveis indicaram ainda que "sem a fonte de receita gerada através de jogos e sem receita prevista para a temporada" não teria condições de pagar ao quadro de colaboradores e por isso "viu-se na necessidade de tomar tal medida".

Um dos dispensados foi João Bernardo, conhecido por Joca, que era roupeiro do clube há 50 anos e o funcionário mais antigo. Joca, de acordo com a imprensa brasileira, era um símbolo do emblema da cidade de Natal. Joca chegou ao ABC a 22 de janeiro de 1970, com 14 anos de idade, para ser auxiliar do roupeiro José Cosme, a pedido do tesoureiro da época. Foi o seu primeiro emprego, e único. Seis anos depois, em 1976, na gestão do presidente José Nilson de Sá, passou a ser o roupeiro principal.

Nos 50 anos de trabalho no ABC, Joca participou em 21 conquistas estaduais, entre elas os dois tetracampeonatos de 1970 a 1973 e 1997 a 2000, além do tricampeonato de 1993 a 1995. O roupeiro também esteve presente na maior conquista do clube: o Campeonato Brasileiro da Série C, em 2010.

"A camisa 10 e a camisa 9, para mim, no futebol, são os números mais especiais. A camisa 10 do ABC para mim é um orgulho, porque foi envergada por Danilo Menezes, ex-Vasco da Gama e da seleção uruguaia, e Alberi, craque que recebeu a Bola de Prata em 1972. Então eu sempre trato delas com muito carinho", disse numa entrevista ao Globo, em 2015.

O despedimento de Joca está a causar uma enorme indignação nas redes sociais, com centenas de adeptos do ABC e antigos jogadores do clube a considerarem injusta a demissão e a pedirem ao presidente Fernando Suassuna que reconsidere a sua decisão, pois segundo eles trata-se da maior figura viva do clube. E até artigos de opinião em jornais têm pedido justiça no caso do roupeiro.

Eis a nota oficial emitida pelo ABC a justificar os despedimentos:

"O ABC Futebol Clube vem a público esclarecer a medida tomada nesta segunda-feira (23), em que realizou o desligamento de aproximadamente 30 colaboradores, ação considerada vital para a continuidade das atividades do clube.

A medida foi necessária em virtude do impacto económico gerado pela pandemia do novo coronavírus, o COVID-19, que ocasionou a paralisação de todas as competições nacionais e estaduais, além da suspensão de patrocínios dos parceiros junto ao clube.

Sem a fonte de receita gerada através de jogos e sem receita prevista para a temporada, a não ser a última cota da participação na Copa do Nordeste 2020, valor que não existe previsão de repasse antes que seja realizada a última rodada da primeira fase, o clube não teria condições de pagar o seu quadro de colaboradores e se viu na necessidade de tomar tal medida.

A diretoria se reuniu durante todo o final de semana e a decisão foi tomada em cima daquelas atividades que não serão necessárias durante todo o período de paralisação e suspensão dos campeonatos. São colaboradores que estão em casa, ficariam sem função e sem receber salário, já que o clube não possui recursos disponíveis.

Pensando na manutenção financeira das famílias de nossos colaboradores, neste período em que o clube não conseguirá honrar os salários, o desligamento ao menos possibilitará o recebimento dos recursos do seguro desemprego à grande maioria dos demitidos, dando-lhes a oportunidade de prover para as suas famílias, bem como, buscar novas recolocações neste momento em que o clube ficará parado.

O clube ainda esclarece que, algumas situações, respeitando as orientações dos órgãos de saúde e respaldado pelo Departamento Jurídico, os funcionários que se enquadram no grupo de risco da contaminação não foram convocados a deixar suas casas e a comunicação do desligamento foi feita através de videoconferência ou mensagem.

Vale destacar que, na conversa com os colaboradores desligados, não foi descartada a opção de, em um segundo momento, depois de normalizada a situação envolvendo a pandemia do COVID-19, e havendo interesse mútuo, existir a recontratação dos profissionais para suas devidas funções.

O ABC Futebol Clube lamenta profundamente toda a situação, agradece a todos os profissionais pelos serviços prestados e faz votos que o panorama seja normalizado o mais breve possível."

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