Eficácia de Cervi deu três pontos ao Benfica em Guimarães

Equipa encarnada aumentou a vantagem na liderança, após vencer no Minho (1-0), com um golo de Cervi na 15.ª jornada. Partida do D. Afonso Henriques marcada pelo arremesso de cadeiras e tochas.

Foi a 12.ª vitória seguida no campeonato. Ir a Guimarães já não é uma dor de cabeça para o Benfica desde fevereiro de 2012, quando o clube da Luz visitou os minhotos na jornada 19 da I Liga 2011-12 e perdeu por 1-0 (era Rui Vitória o treinador dos vimaranenses e Jesus o técnico do Benfica). Este sábado os encarnados passaram por muitas dificuldades no D. Afonso Henriques, mas saíram vivos e ainda mais líderes, graças a um golo solitário de Cervi. As águias aproveitaram o facto de jogarem antes do FC Porto visitar o Sporting para aumentar a distância na tabela, ficando agora à espera do que acontecer no clássico de Alvalade, no domingo, para saber com quantos pontos de vantagem fica após a 15.ª jornada da I Liga.

O jogo começou com o Vit.Guimarães a todo o gás e o Benfica encolhido. Com duas linhas muito compactas a defender, os minhotos iam desconstruindo o jogo do Benfica, não permitindo as ligações entre setores. A bola não chegava jogável aos pés de Vinícius e Chiquinho e as bolas em profundidade para Pizzi também não chegavam ao destino. Era preciso mudar alguma coisa. A equipa de Ivo Vieira sabia o que fazia e era mais forte nas transições, criando alguns calafrios a Vlachodimos, que teve de sair da baliza duas vezes para evitar que Davidson e Leo Bonatini ficassem isolados - problema de jogar com a linha defensiva muito subida.

O jogo estava vivo, rápido e intenso, mas sem oportunidades de golo. Até que aos 21 minutos, a equipa de Bruno Lage conseguiu furar o bloqueio do Vitória graças ao talento individual de Chiquinho, Pizi e Cervi, que finalizou. Prevaleceu a eficácia dos encarnados numa altura em que o Vitória estava com o domínio do jogo. O golo das águias deu depois origem a cenas lamentáveis nas bancadas. A chuva de cadeiras e objetos pirotécnicos no relvado levou o árbitro a interromper o jogo por alguns minutos. Cenas que contrastaram com a festa inicial nas bancadas, que, até então, estavam a contribuir para o grande ambiente vivido no D. Afonso Henriques - até ao final o jogo ainda seria interrompido por mais duas vezes e pelo mesmo motivo.

O golo encarnado afetou os adeptos adversários, mas não a equipa. Os vimaranenses continuaram a comandar as operações e Lucas Evangelista teve o empate nos pés aos 31 minutos. Valeu Vlachodimos, que se esticou todo e enviou a bola para canto. Cargava forte a equipa de Ivo Vieira, que pouco depois voltou a estar perto do empate. E por três vezes. Primeiro numa grande jogada de Marcus Edwards , depois num remate de João Carlos Teixeira e novamente num lance com Edwards. O guarda-redes grego acabou a primeira parte com muito trabalho, mas revelou estar à altura da missão e manteve a baliza inviolável até ao intervalo.

VAR entrou em ação...

O descanso chegou com alguma polémica. Davidson ficou a pedir grande penalidade na área encarnada, após um lance com Rúben Dias, mas o árbitro, após consultar o VAR, mandou jogar. O jogo foi assim para o intervalo com as águias em vantagem graças ao golo de Cervi, que marcou na única oportunidade de golo do Benfica na primeira parte. As dificuldades dos encarnados ficaram refletidas na estatística: menos cinco remates e menos 10% de posse de bola do que o adversário.

O jogo estava em aberto. O segundo tempo regressou com a mesma dinâmica do primeiro tempo e o Benfica desconfortável no jogo. A pressão vitoriana continuava muito forte e os encarnados não conseguiam descobrir o antídoto para as movimentações adversárias. Aos 67 minutos o perigo voltou a rondar a baliza encarnada. Vlachodimos não conseguiu segurar a bola que foi ao encontro de Lucas Evangelista, que atirou para uma excelente defesa do grego.

Com 20 minutos para jogar e já com Seferovic no lugar de Vinícius, Gabriel percebeu que o adversário não podia continuar a jogar ao ritmo alucinante e começou a segurar a bola. O Benfica precisava ser mais criterioso e Bruno Laque percebeu que era preciso dar consistência ao meio campo para segurar o resultado e fez entrar Samaris, tirando Chiquinho. A ideia era ter mais bola e respirar melhor. A estratégia surtiu efeito e os encarnados levaram finalmente perigo à baliza de Douglas. Pizzi e Grabriel obrigaram o guardião vimaranense a mostrar serviço, mas o resultado não sofreu alterações.

No final ganhou a equipa mais eficaz. Os encarnados acabaram o jogo com apenas quatro remates, contra 12 do Vit.Guimarães.

FIGURA
Cervi

Na ausência de exibições de encher o olho, Cervi foi a figura pelo golo decisivo num terreno difícil. Um remate cruzado no interior da área, sem grande força mas com a direção certa. Foi o tercerio golo do argentino esta época. Esteve discreto, tal como a equipa, mas foi graças à sua eficácia que o Benfica saiu de Guimarães com mais três pontos.

VEJA O GOLO

FICHA DE JOGO

Estádio D. Afonso Henriques.

Vitória de Guimarães - Benfica, 0-1.

Marcador: 0-1, Cervi, 23 minutos.

Vitória de Guimarães: Douglas, Victor Garcia, Tapsoba, Pedro Henrique, Florent, Pêpê, João Carlos Teixeira (Poha, 58), Lucas Evangelista (Rochinha, 77), Davidson, Marcus Edwards e Bonatini (Bruno Duarte, 69).

Treinador: Ivo Vieira.

Benfica: Odysseas, Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Taarabt, Gabriel, Pizzi (Gedson, 90+2), Cervi, Chiquinho (Samaris, 82) e Carlos Vinicius (Seferovic, 71).

Treinador: Bruno Lage.

Árbitro: Nuno Almeida (Algarve).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Lucas Evangelista (31), Tomás Tavares (42), Gabriel (52), João Carlos Teixeira (57), Rochinha (90 e 90+5), Taarabt (90+8). Cartão vermelho para Rochinha por acumulação de amarelos (90+5).

Assistência: 27.291 espetadores.

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