Benfica desiste da OPA e não recorre do chumbo da CMVM

O Benfica comunicou esta terça-feira à CMVM, que desistiu da Oferta Pública de Aquisição (OPA), que estava em curso sobre as ações da SAD. A decisão prende-se com a pandemia do Coronavírus. De acordo com o comunicado enviado ao Mercado (CMVM), o clube da Luz revela que esta decisão já vinha a ser discutida desde o dia 12 de março, quando foi decidida "a suspensão do campeonato".

"Este requerimento foi formulado ao abrigo ao artigo 128.º do Código dos Valores Mobiliários (por remissão do artigo 130.º, n.º 1 do mesmo Código), tendo por conta a alteração das circunstâncias determinadas pela pandemia associada ao novo Coronavírus - COVID19 e os impactos da mesma, diretos e indiretos", pode ler-se no comunicado encarnado, onde o emblema da Luz aproveita para esclarecer algums dúvidas levantadas pelo Regulador.

"Neste contexto de enorme adversidade, a Benfica SAD tomou e continuará a tomar, tendo em conta a informação
fiável que estiver disponível a cada momento, as medidas que reputar necessárias para preservar a sua atividade,
sendo previsível a redução de custos e despesas não indispensáveis ao desenvolvimento dessa atividade e a
ponderação acrescidamente cuidada de todos os investimentos que estavam projetados. Assim sendo, as transações de atletas serão analisadas muito cuidadosamente, tendo em vista promover e preservar na maior medida possível os ativos essenciais da Benfica SAD e assegurar a sua sustentabilidade
, atendendo aos interesses de longo prazo dos seus acionistas e ponderando os interesses dos seus trabalhadores e demais stakeholders", explicou a SAD encarnada.

O emblema encarnado dá assim encerrado o assunto da venda de ações da SAD, que a CMVM já tinha chumbado na segunda-feira, depois de suspender as ações em Bolsa.

O Benfica lançou no dia 18 de novembro uma oferta pública de aquisição parcial para comprar 28,06% do capital da SAD do próprio clube. O custo desta operação era de 32,3 milhões de euros e iria permitir ao clube, em caso de sucesso, passar a deter a quase totalidade da Sociedade Anónima Desportiva que gere o futebol. Atualmente, o Sport Lisboa e Benfica detém 66,9% do capital social da SAD e com a OPA arrecadaria os restantes 28,06%.

"Não escondi a ninguém que estou cá para defender os interesses do Benfica. Os resultados financeiros, desportivos e patrimoniais falam por si. Querer adquirir cerca de 28 % faz parte da estratégia para o Benfica aumentar o capital próprio e devolver cada vez mais o Benfica aos benfiquistas. Há pouca gente que sabe o que o Benfica vale hoje. O Benfica está a fazer o melhor negócio de sempre, porque sei o que vale a SAD. Jogámos recentemente com o Lyon, que vendeu 20 % da sua SAD por 100 milhões de euros. O Benfica quer reforçar o controlo da SAD para decidir o que bem entender", disse, na altura o presidente Luís Filipe Vieira, em declarações à BTV.

No entanto, o cenário que permitira ao clube ficar a deter a SAD na totalidade, mas que levantou dúvidas ao Regulador do Mercado. Segundo o Jornal Económico, a ligação empresarial entre o presidente do clube das águias, Luís Filipe Vieira, e José António dos Santos, o maior acionista privado desta sociedade desportiva (12,7%) levou a CMVM a considerar que havia um conflito de interesses e a chumbar o negócio.

Além disso a CMVM chumbou, e por duas vezes, o financiamento da OPA, no montante de 32 milhões de euros, considerando que o mesmo é feito pela própria SAD que é o alvo da oferta.

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