Atleta e pediatra, Elena Díaz competiu de máscara para proteger os colegas

A médica espanhola de 35 anos está habituada a correr de máscara para proteger os outros. Na prova do campeonato nacional deste sábado queria defender os colegas atletas e sensibilizar a população a usar máscara noutras ocasiões.

Elena Díaz é pediatra e atleta. E este sábado, apesar de não ter feito a sua melhor prestação, na prova de marcha de 10 mil metros do Campeonato Espanhol, em que ficou em nono lugar, deu nas vistas. A médica chegou à pista de máscara e não a tirou nunca. Não é obrigatório o uso deste equipamento de proteção durante as provas desportivas, mas Elena Díaz considerou que tinha de o fazer dado a sua elevada exposição à covid-19 no hospital onde trabalha.

"Competi com máscara para proteger os meus colegas", explicou a atleta ao espanhol Corredor. Embora admita que a questão da sensibilização do uso de máscara lhe agrade, Díaz disse que não estava a tentar propor aos adversários que fizessem a prova com a cara coberta. O seu principal objetivo era não criar uma exposição desnecessária dos outros ao vírus.

"Por causa do meu trabalho, assumo que sou um risco maior para os outros e não tenho problemas em colocar a máscara", continuou a especialista de 35 anos, pediatra há três no Hospital Virgen de la Luz, em Cuenca, onde se encontra a tratar também crianças com covid-19.

"Por causa do meu trabalho, assumo que sou um risco maior para os outros e não tenho problemas em colocar a máscara"

Mesmo equipada com fato, máscara, óculos sabe que o risco zero não existe durante uma pandemia e, por isso, habitou-se a correr sempre de máscara, mesmo quando vai treinar no parque.

Elena Díaz terminou a competição em nono lugar, com 58:44:34, mas satisfeita com a sua participação. A preparação física da antiga vice campeã de marcha sub-23 estava comprometida. Nos últimos meses, teve menos tempo para treinar e pouca disposição.

Durante a pandemia, as horas no hospital e o ritmo de trabalho tornaram-se mais exigentes e não conseguiu preparar-se como gostaria para esta competição.

"Sempre conciliei o meu trabalho como pediatra com o atletismo, embora este último ano tenha sido um pouco complicado", admitiu ao Corredor.

Na linha da frente do tratamento à covid, Elena Díaz está mais cansada e tem de fazer um maior esforço para se relacionar com os doentes por baixo dos equipamentos de proteção individual. "Mudou a forma como trabalhamos. Usar máscara não permite comunicar da mesma forma com os doentes. Não podemos abraçá-los, confortá-los como antes".

Embora as crianças tenham doença mais leve em geral, como indica a pediatra, devido à sua fragilidade, esta é sempre uma idade muito preocupante.

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