Faz esta sexta-feira três meses que Portugal acordou para o talento de 21 jovens futebolistas que entraram para a história do futebol português ao conquistarem do terceiro título mundial da história das seleções nacionais. Depois dos títulos de sub-20 em 1989 e 1991, foi da equipa treinada por Bino Maçães erguer o troféu de campeã do mundo de sub-17 no Qatar com um triunfo diante da Áustria, por 1-0. Mais de 90 dias após o feito há quatro jogadores que podem orgulhar-se de já terem tido minutos nas equipas principais dos seus clubes, mas os níveis de evolução não são iguais para todos e há oito que ainda alinham nos mesmos escalões onde estavam quando partiram para o Qatar com o sonho de juntar o título de campeão da Europa (conquistado a 1 de junho) ao de campeão do mundo.Os casos de ascensão meteórica são quase todos conhecidos, pois três deles foram lançados por José Mourinho no Benfica: Daniel Banjaqui, José Neto e Anísio Cabral. O outro é João Aragão, médio ofensivo do Sporting de Braga que, curiosamente, até foi o primeiro a chegar a uma equipa principal, uma vez que foi lançado pelo treinador espanhol Carlos Vicens ainda antes do Mundial, num jogo da Liga Europa com os sérvios do Estrela Vermelha quando já no tempo extra entrou para o lugar do capitão Ricardo Horta. Além disso, tem mais quatro presenças no banco de suplentes nos jogos da UEFA, com Feyenoord, Celtic, Nottingham Forest e Go Ahead Eagles, estes dois últimos já depois da conquista do título. Bem se pode dizer que Aragão - um golo e uma assistência nos oito jogos no Qatar -, está à porta da equipa principal. Apesar de continuar a jogar na equipa B na Liga 3, tem beneficiado do facto de nos jogos da UEFA poder haver 11 suplentes, mais dois que nas competições nacionais.Já Daniel Banjaqui deixou de jogar na Liga Revelação (sub-23) e fixou-se na II Liga, onde é titular quando não é chamado por Mourinho para a equipa A do Benfica, na qual foi duas vezes titular e uma suplente utilizado. O lateral direito até já conta com uma assistência, precisamente para o primeiro de dois golos de Anísio Cabral na equipa principal do Benfica (frente ao Estrela da Amadora) - o outro valeu a vitória com o Alverca. .O segundo melhor marcador do Mundial de sub-17 leva quatro jogos na equipa principal e foi quem protagonizou o maior salto entre os 21 campeões do mundo, pois passou da equipa de juniores (com apenas 127 minutos nos sub-23) diretamente para a equipa A, sem ter passado pela equipa B. Além disso, Anísio foi o primeiro a assinar contrato de longa duração com o seu clube, tendo um vínculo com o Benfica até 2031 e uma cláusula de rescisão não revelada, mas que será entre 80 e 100 milhões de euros.Os dias seguintes ao título mundial também foram meteóricos para o defesa-esquerdo José Neto, que alinhava nos sub-23 e, após o regresso a Lisboa, estreou-se na equipa B e na equipa principal (na Champions com o Nápoles) em apenas quatro dias, contabilizando três jogos sob as ordens de Mourinho, que faz dele um dos jogadores mais jovens de sempre a ser titular de águia ao peito. Além disso, é o futebolista mais jovem a jogar na atual edição da I Liga.Primeiros passos Mide na BQuem não viu o percurso de formação alterado foram os bracarenses David Rodrigues e Gabriel Dbouk, que continuam a competir no escalão de sub-19, tal como o portista Bernardo Lima, que ainda assim continua a fazer alguns jogos pela equipa B. O mesmo acontece a um quinteto de benfiquistas, com Stevan Manuel - sobrinho de Renato Sanches - a manter-se na equipa de sub-23, enquanto Mauro Furtado (terceiro melhor jogador do Mundial), Ricardo Neto e Tomás Soares jogam nos juniores e sub-23, tal como Rafael Quintas (eleito melhor futebolista do Europeu de sub-17) que antes do Mundial tinha apenas jogado na Liga Revelação (sub-23), mas depois passou a representar também os juniores.Numa fase de transição parece estar o guarda-redes Alexandre Tverdohlebov, que no último jogo se estreou na equipa sub-23 no Sporting e bem pode ter conquistado o lugar, tal como o ala esquerdo Yoan Pereira e o defesa-central Martim Chelmik, que já somaram os primeiros minutos pelo FC Porto B, mas não deixaram de alinhar pelos sub-19, uma situação semelhante à de Mateus Mide, considerado pela FIFA como o melhor futebolista do Mundial do Qatar, que enquanto procura afirmar-se como titular na II Liga vai ajudando a equipa de juniores com o seu talento, que lhe valeu quatro golos e duas assistências na bela caminhada da seleção nacional.Três casos curiososDo lote de campeões do mundo destaque para três jogadores que não eram habituais titulares da equipa de Bino Maçães, mas que depois do torneio subiram de patamar nesta fase final da sua formação. São os casos de Santiago Verdi e Martim Guedes, mais conhecido como Zeega, jogadores do V. Guimarães que deixaram os juniores e passaram a representar apenas a equipa B na Liga 3. Aliás, Zeega, o mais novo dos 21 jogadores que estiveram no Qatar, parece já estar perto de se estrear da equipa principal vimaranense, afinal já se sentou no banco de suplentes no jogo da I Liga com o Arouca, a 7 de fevereiro... é caso para dizer que o sonho pode estar perto de ser concretizado.O médio Miguel Figueiredo também deu um passo em frente desde o Mundial, pois deixou os sub-23 e passou a jogar na II Liga, fixando-se como titular do Benfica B, sendo também legitimo pensar que poderá ser a próxima aposta de José Mourinho.