Sustos de CR7 em triunfo folgado, com Portugal dono da sua sorte

Jogo de sonho de Diogo Dalot, que marcou dois golos na vitória sobre a Rep. Checa (4-0). Seleção só precisa de um empate, frente à Espanha, para se apurar para a final four da Liga das Nações.

A efeméride merecia e exigia um triunfo. No dia em que passam oito anos da apresentação de Fernando Santos como selecionador nacional, ninguém esperava menos que a vitória sobre a Rep. Checa (4-0) para celebrar o momento e colocar Portugal a depender só de si para se apurar para a final four da Liga das Nações. Agora, só precisa de um empate, na terça-feira, frente à Espanha, que hoje perdeu com a Suíça (1-2).

Hoje, em Praga, num jogo em que Portugal mostrou boas dinâmicas (na posse, controlo e nos momentos de pressão), os jogadores do Manchester United (e Diogo Dalot em particular, uma vez que marcou dois golos) foram os protagonistas-mor de um triunfo que colocou a seleção no primeiro lugar do grupo, beneficiando desse desaire espanhol.

Portugal entrou em campo com seis dos sete jogadores em risco de exclusão para o jogo com a Espanha. Cristiano Ronaldo, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Danilo, William e Rafael Leão não podiam ver (e não viram) um cartão amarelo para não falhar esse último e decisivo jogo. Não houve poupanças, mas houve mexidas. Sem o castigado João Cancelo, Diogo Dalot assumiu o lado direito da defesa. Do outro lado Mário Rui foi o escolhido, numa defesa que teve Danilo como colega de Rúben Dias. William jogou como médio defensivo e Rafael Leão foi o companheiro de ataque de Cristiano Ronaldo, que aos 14 minutos pregou um grande susto a Portugal.

O capitão chocou com o guarda-redes checo e ficou muito mal tratado, sangrando abundantemente do nariz. Acabou por voltar ao jogo e foi dele a primeiro oportunidade (ou primeira perdida, depende do ponto de vista) de golo. CR7 não acertou bem na bola e perdeu uma excelente oportunidade para adiantar a equipa no marcador, depois de uma jogada bem trabalhada pelo meio campo português.

Os checos iam mostrando alguma iniciativa de jogo para obrigar Portugal a defender com uma linha de cinco - Rúben Neves intrometia-se entre Danilo e Rúben Dias - para roubar espaços a Patrick Schick e companhia na procura do golo. A resposta do camisola 7 checo foi em tudo igual à do 7 português. Antonín Barák falhou o desvio para a baliza de Diogo Costa e assim o 0-0 persistiu no marcador... por mais dois minutos, até Diogo Dalot adiantar os portugueses.

O lance foi confuso, mas eficaz. Ronaldo desperdiçou um passe de Bruno Fernandes, mas Rafael Leão não desistiu do lance e serviu o lateral, que assim se estreou a marcar pela seleção e logo no jogo em que se estreou na Liga das Nações. O golo abalou os checos e Portugal aproveitou para fazer o 2-0, em mais uma jogada improvável, com Bruno Fernandes a aparecer no coração da área a finalizar, após passe de Mário Rui. A seleção portuguesa colocava-se assim a ganhar por dois golos e com a particularidade de ambos terem sido marcados por jogadores do Manchester United.

Golaço de Dalot sossegou os portugueses

Antes do intervalo Ronaldo pregou mais um susto. Inconscientemente, o capitão e meteu a mão à frente da cara, talvez numa tentativa de proteger a face já de si maltratada, e acabou por cortar a bola com a mão na área. O árbitro (com ajuda do VAR) considerou que houve movimento ascendente e marcou penálti. Chamado a marcar, Patrick Schick falhou e a seleção portuguesa manteve os dois golos de vantagem para o intervalo.

Manter o controlo da bola através da posse era a solução para manter a vantagem no marcador. Todos sabiam que os checos não precisavam ter muita bola para criar oportunidades e concretizá-las e eles entraram com tudo no segundo tempo, aparecendo com quatro homens na área.

Fernando Santos não largava o ar preocupado, mas em campo a equipa ia dando conta do recado e Diogo Dalot mostrava que a noite era dele, com um golaço: um remate a mais e 30 metros da baliza que sossegava tudo e todos e permitiu ao selecionador entrar em modo gestão para o jogo com os espanhóis. Ronaldo manteve-se até ao fim e ainda serviu Diogo Jota para o 4-0 final.

E assim Portugal ganhou folgadamente e sem sentir a renúncia de Rafa Silva.

isaura.almeida@dn.pt

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