Sérgio Conceição, um professor na austeridade

Treinador conquistou o terceiro título em cinco anos. Tem contrato até 2023 e uma cláusula de rescisão para quem quiser bater 20 milhões de euros.

"Venho para ensinar, não para aprender." Cinco anos depois da sua chegada ao Dragão para orientar o FC Porto, Sérgio Paulo Marceneiro Conceição cumpriu a promessa inicial. Conquistou agora o 30.º título nacional da história do clube, onde chegou aos 16 anos, e o seu "ensino" passou, acima de tudo, por mostrar como superar um ciclo austero a nível financeiro, obtendo resultados desportivamente relevantes.

Com este triunfo - duplamente especial, tendo em conta que Francisco, um dos seus cinco filhos (quatro são futebolistas) também se sagrou campeão - entra, com apenas 47 anos, num lote restrito de treinadores portugueses que venceram a I Liga por três vezes. Antes dele, apenas Artur Jorge, Jesualdo Ferreira e Jorge Jesus (o seu primeiro treinador na I Divisão) tinham conseguido tal feito.

A opção de Pinto da Costa acabou por resultar num casamento (quase) perfeito. Tão perfeito que já dura há cinco anos, quando se sabe que o presidente do FC Porto não costuma manter os técnicos além dos três anos - a única exceção foi mesmo Jesualdo, com quatro. Aliás, é preciso recuar a 1942 para encontrar um treinador que estivesse tanto tempo à frente da equipa: na altura foi o húngaro Mihály Siska que se aguentou no cargo cinco temporadas.

Natural de Ribeira de Frades, terra de sportinguistas, católico praticante, cedo teve de enfrentar grandes adversidades: perdeu o pai aos 16 anos, num acidente depois de o ter levado ao Porto, e a mãe quase a seguir. Talvez por isso, determinação, para o bem e para o mal, nunca lhe faltou, fosse nos treinos, nos jogos ou nos gabinetes.

Extremo raçudo, 56 vezes internacional A, foi diretor desportivo e adjunto antes de abraçar a sua vocação de treinador principal, estreando-se ao serviço do Olhanense e deixando logo a sua marca, como recordou Fernando Alexandre, seu jogador nos algarvios: "Se alguém mete os seus interesses à frente dos da equipa, isso tem consequências."

E, acompanhado por uma equipa técnica que faz sempre questão de enaltecer, nisso nunca mudou. Sérgio Conceição é, como disse Pinto da Costa, "um dos obreiros do título".

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