Santos também pode reclamar o título de mais estreias na seleção

Em termos proporcionais, o atual selecionador bate os seus três antecessores (Scolari, Carlos Queiroz e Paulo Bento) aos pontos. Nos últimos dois anos, o engenheiro lançou um total de 22 jogadores em 27 jogos realizados

Fernando Santos lançou até ao momento 22 jogadores nos 27 jogos em que orientou a seleção nacional (média de 0,8 por desafio). Um número que, em termos proporcionais, supera os dos seus três antecessores, isto apesar de Luiz Felipe Scolari ter promovido 30 futebolistas, mas em 75 encontros (média de 0,4 por jogo) e num espaço de tempo muito superior.

Já Carlos Queiroz, que sucedeu ao treinador brasileiro ainda durante a gerência de Gilberto Madaíl, promoveu as estreias de 16 atletas em 29 partidas (média de 0,6 e curiosamente só com um médio na lista, Rúben Amorim), enquanto Paulo Bento lançou 24 em 47 partidas (média de 0,5), ou seja, apenas mais dois em quase o dobro do tempo no cargo.

No jogo particular de quinta-feira com Gibraltar foram mais dois estreantes: João Cancelo, 22 anos, defesa direito do Valência - o segundo mais novo dos sete internacionais A que marcaram na estreia por Portugal neste século, depois de Nani - e o ponta-de-lança André Silva, 20 anos, do FC Porto.

Na sua apresentação como selecionador, Fernando Santos até referiu que não gostava da palavra renovação, garantindo que para ele os jogadores não tinham bilhete de identidade. Como se provou com a presença de Ricardo Carvalho na fase final do Europeu, aos 38 anos.

Mas tal como não tem dúvidas em chamar futebolistas com idade avançada, Santos não se priva de lançar jovens atletas. Só nos seus primeiros dez jogos no cargo foram 15 as caras novas, uma média impressionante de um jogador e meio por partida, que era praticamente impossível manter. Mas nos 22 novos atletas em quem confiou houve espaço para um veterano, José Fonte, que tinha 30 anos quando teve a honra de vestir a camisola da seleção pela primeira vez.

Logo no seu primeiro jogo, diante da França, em outubro de 2014 (derrota por 2-1), Fernando Santos promoveu as estreias de Cédric e de João Mário. E neste trajeto de quase dois anos não teve problemas em apostar em miúdos como Gonçalo Guedes, Rúben Neves e Renato Sanches, todos na altura com apenas 18 anos.

O jogo particular com Cabo Verde, em março do ano passado, foi a partida com mais caras novas chamadas: Marafona (ainda não foi internacional A), André Pinto, Tiago Pinto (também ainda não se estreou), Danilo, André André, Ukra e Rui Fonte (também ainda não jogou) e Lucas João (alinharia pela primeira vez com a Rússia).

À medida que a fase final do Euro 2016 se ia aproximando, foram naturalmente diminuindo as caras novas. Entre 14 de novembro de 2015 - quando utilizou Gonçalo Guedes, Rúben Neves, Lucas João e Ricardo Pereira num particular na Rússia - e o torneio em que Portugal se sagrou campeão europeu, Renato Sanches foi a única novidade - estreou-se a 25 de março, na derrota caseira com a Bulgária.

Alargado lote de escolhas

João Cancelo e André Silva foram os últimos a ter uma oportunidade, mas já vários nomes se perfilam para figurar no lote de eleitos a curto/médio prazo, sendo os mais óbvios Rúben Semedo, André Horta, Diogo Jota ou Gelson Martins.

Toni, treinador duas vezes campeão nacional pelo Benfica que integrou a equipa técnica da seleção liderada por Fernando Cabrita, defende que o número elevado de jogadores lançados pelo atual selecionador nacional "mostra claramente o alargado lote de escolhas existente, assegurando um presente e um futuro risonhos", e elogiando o facto "de a renovação ter sido feita com a conquista do título de campeão europeu".

De resto, Toni concorda com a estratégia que tem sido seguida por Fernando Santos. "O seu principal foco foi garantir a qualificação para o Campeonato da Europa e para isso procurou uma boa base de jogadores, apostando em várias alterações cirúrgicas com bons resultados", indicou.

Toni não duvida de que o futuro está assegurado, realçando "o excelente trabalho desenvolvido nas academias dos clubes - e não só apenas nas dos três grandes -, a qualidade dos treinadores portugueses e a estratégia seguida pela Federação Portuguesa de Futebol e pela Liga de Clubes, que vai permitindo o aparecimento de jovens talentos".

De acordo com Toni, "hoje em dia existe uma motivação intrínseca nos jovens jogadores portugueses, que sabem que a sua oportunidade na seleção principal acabará por chegar, desde que obviamente tenham qualidade". E sublinha que já não é apenas nos grandes clubes portugueses que os maiores talentos se afirmam, realçando "os casos de Bernardo Silva, no Mónaco, e de João Cancelo, no Valência, que emigraram e conseguiram jogar ao mais alto nível em grandes clubes de campeonatos competitivos".

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