Nuno Borges faz história e cumpre sonho no Estoril Open

O rapaz da Maia garantiu um lugar no quadro principal do open português na estreia em torneios ATP. Frederico Silva foi eliminado.

Nuno Borges (331.º do ranking ATP) fez história no domingo ao entrar no quadro principal do Millennium Estoril Open, que segunda-feira começa no Clube de Ténis do Estoril e onde também está o compatriota João Sousa. Já Frederico Silva ficou pelo caminho - o mesmo tinha acontecido com João Domingues e Pedro Sousa no sábado.

Um dia depois de se ter estreado com uma vitória em torneios ATP, o jovem tenista natural da Maia derrotou ontem o espanhol Roberto Carballes Baena (91.º), por 7-5 e 6-4, e ganhou um lugar no quadro principal. Um feito enorme tendo em conta que foi a primeira vez que venceu um top-100 e conseguiu dois triunfos seguidos na estreia em torneios ATP.

"É um sonho tornado realidade, nem sequer achava ter hipóteses de jogar o qualifying. Só aí já foi uma experiência muito boa, ainda estou perplexo. É uma experiência incrível e única, provavelmente, é o highlight da minha carreira. Agora é para dar tudo, tenho vindo a jogar bem mas tenho de aproveitar estas oportunidades para sentir que deixei tudo lá e que não sobrou nada", confessou o tenista, "muito contente" com o nível apresentado.

Desconhecido mediaticamente, Nuno Borges é o atual campeão nacional de ténis. Com seis anos e apesar de já andar na natação, quis experimentar outro desporto e como o Complexo de Ténis da Maia era muito perto de onde vivia, escolheu o ténis. "Acabei por gostar e fui continuando a jogar", disse há dias numa entrevista, onde também confessou que já aos 12 anos achava que ia fazer disso vida.

Nunca deixou de estudar e viria a tirar partido disso. Para evoluir no ténis foi para os EUA... a mais de 7 mil km de casa. A bolsa desportiva na Universidade do Mississípi permitiu-lhe estudar e jogar ténis, regressando a Portugal há três anos para jogar o circuito nacional.

Treinado por João Mário, detesta perder, é ambicioso e adora competir, colocando como objetivo a curto prazo entrar no top-100 para poder jogar os principais torneios. Há sete meses era o número 599 do ranking mundial, mas entrou no qualifying do Estoril Open como n.º331. Os dois triunfos do fim de semana vão dar para subir mais uns lugares na lista mundial.

Sem um ídolo a quem venerar, para ele o jogador perfeito é a mistura de sete tenistas: o serviço de John Isner, a resposta e a esquerda de Novak Djokovic, a direita de Roger Federer, a movimentação Gael Monfils, o volley de Daniel Nestor, o talento natural de Benoit Paire e a força mental de Rafael Nadal.

Nuno é o atual campeão nacional e no ano passado surpreendeu ao bater João Sousa. Hoje vai estrear-se num quadro principal frente ao australiano Jordan Thompson, número 59 da lista mundial. Ele prometeu sonhar, mas a tarefa é hercúlea e a derrota não retirará brilho ao que fez no court do Estoril Open estes dias.

Em caso de vitória na primeira ronda, o maiato vai cruzar-se com o vencedor do confronto entre o sexto cabeça de série, Marin Cilic (44.º ATP), e o espanhol Carlos Alcaraz (119.º ATP), também ele proveniente da fase de qualificação. Mais difícil será encontrar o nipónico Kei Nishikori (39.º ATP) nos quartos de final.

Os outros dois tenistas oriundos do qualifying, Pedro Martínez (100.º ATP) e Jaume Munar (86.º ATP), vão defrontar Alexander Bublik (42.º ATP) e Jeremy Chardy (51.º ATP), respetivamente. Ainda hoje há um duelo entre Kevin Anderson e Frances Tiafoe.

O português Frederico Silva ficou ontem pelo caminho, depois de perder diante do espanhol Jaume Munar e falhar o acesso ao quadro principal. O jogador das Caldas da Rainha, que esta semana atingiu o 171.º lugar no ranking ATP, a sua melhor classificação de sempre, não conseguiu contrariar o favoritismo do adversário, 86.º colocado na hierarquia mundial, e acabou por sair derrotado em dois sets, com os parciais de 7-6 (8-6) e 6-3, ao fim de duas horas e 19 minutos.

isaura.almeida@dn.pt

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