Meia hora de show azul foi um verdadeiro ai-jesus para o Benfica

FC Porto perdoou goleada, mas segue na Taça de Portugal. Evanilson marcou dois e acabou expulso antes do intervalo. Otamendi teve golo anulado e também foi expulso. Dia 30 há novo duelo para a I Liga.

Há muito que não se via um clássico assim... de exibição e resultado tão desequilibrado (3-0). O FC Porto segue na Taça de Portugal às custas de um Benfica irreconhecível e órfão de Jorge Jesus, que fica em maus lençóis antes do Natal. No clássico desta quinta-feira, os dragões fizeram três golos em 30 minutos - o primeiro aos 33 segundos - e depois andaram 60 minutos a desperdiçar uma goleada, que hoje ninguém estranharia face ao domínio azul e branco. E daqui a uma semana há mais e também no Estádio do Dragão. O jogo da 16.ª jornada da I Liga é no dia 30.

Já se sabia que os treinadores iriam ser intervenientes ausentes. Ambos suspensos pelo Conselho de Disciplina da Federação, Sérgio Conceição e Jorge Jesus foram fiéis ao que se esperava deles. Um FC Porto com Marchesín na baliza e Fernando Cardoso no lugar de Pepe (não recuperou a tempo) e um Benfica com André Almeida numa linha defensiva a três e Taarabt no reforço do meio campo.

Ainda o fumo dos foguetes acenados nas bancadas desfilava pelo relvado quando os dragões se colocaram em vantagem no jogo. Um golo fabricado em plena pequena área encarnada da autoria de Evanilson, que aos 33 segundos (!) fuzilou Helton Leite. Desde a época 1958-59 que não se marcava um golo no primeiro minuto de um clássico. Evanilson foi o quinto da história a fazê-lo desde 1937.

Uma entrada fortíssima da equipa da casa, apostando na pressão imediata sobre a bola que encostava o Benfica lá trás. Aos 5 minutos Helton Leite voou para impedir o golo de João Mário e mandar a bola para canto. Do lance de bola parada nasceu o 2-0. O guarda-redes brasileiro sacudiu a bola para os pés de Vitinha (talvez o melhor do clássico), que num remate cheio de classe colocou a bola na baliza.

Sem futebol apoiado, as investidas de Rafa caiam em saco roto. E além de não conseguir construir as águias também sentiam muitas dificuldades em suster o ímpeto ofensivo dos portistas, que só deixaram o Benfica respirar aos 15 minutos e depois de estar a ganhar por dois. A opção foi tentar o jogo direto e assim meter a bola em Darwin. O uruguaio ainda meteu a bola na baliza aos 17 minutos, mas o lance foi anulado por fora de jogo de 4 centímetros. Se os adeptos estavam habituados a discutir a intensidade nos lances de grande penalidade para dizer da justiça do resultado, desde que o VAR entrou em ação que o debate passou a ser em centímetros... do fora de jogo.

Aos 31 minutos o 3-0! Tudo fácil e algum génio colombiano à mistura. Luis Díaz tirou Otamendi da jogada, fez um compasso de espera para ver quem estava em melhor posição para marcar e viu Evanilson, que em posição frontal voltou a fuzilar Helton Leite. O brasileiro bisava assim no jogo e fazia o pleno na taça - marcou nos três jogos - antes de borrar a pintura e ser expulso antes do intervalo, naquela que foi a primeira expulsão da carreira. Antes Díaz exagerou na humildade e falhar um golo de baliza aberta, após uma saída desesperada de Helton Leite.

45 minutos... de quase nada

Ao intervalo os dragões venciam por três, mas podiam ter sido quatro ou cinco. Desde 2010-11 que os portistas não chegavam ao intervalo a vencer por 3-0 (jogo terminou 5-0). Nesta altura todos os olhares procuram por Jorge Jesus nos camarotes do Estádio do Dragão, assim como quem procura o culpado de um desnorte coletivo em campo (e fora dele). Muito por culpa do o técnico e dos dirigentes do Flamengo, que estão há uma semana em Portugal para tentar convencer o treinador a voltar ao Brasil. O ambiente tenso criado em nada ajudou à preparação de um clássico a eliminar e a derrota deixa-o em cheque na Luz.

Sabendo que ia jogar 45 minutos com mais um em campo, Jesus, pela mão de João de Deus, refrescou a equipa com Everton (em vez de Gilberto) e Yaremchuk (em vez de Taarabt) e mudou o esquema recorrendo ao tradicional 4x4x2. Yaremchuk nem de um minuto precisou para levar a bola até às mãos de um atento Marchesín. Era um sinal de um Benfica mais clarividente na área perante um dragão que continuava a desperdiçar.

Taremi deu seguimento a uma série de jogos sem marcar ao acertar no poste, após se servido de forma magistral por Zaidu. O iraniano ficou incrédulo com a pontaria (ou falta dela). Logo depois um pisão do estreante em clássicos, Fábio Cardoso, tirou Darwin do jogo e obrigou Jesus a lançar Seferovic. Em menos de um minuto o suíço fez duas ameaças de cabeça.

O jogo entrou depois numa fase de muita picardia, muitas faltas, muita paragem de jogo e muitos festejos nas bancadas com um golo anulado a Otamendi, que logo depois foi expulso. E para terminar mais um golo anulado ao portista Fábio Cardoso. Nada que impedisse a 98.ª vitória do FC Porto sobre o Benfica: os portistas têm, agora, mais 10 vitórias nos duelos entre as duas equipas.

isaura.almeida@dn.pt

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