Mafra fica a caminho do Jamor e pode ajudar Tondela a fazer história

Equipa beirã pode garantir hoje um lugar na final, numa altura em que luta para não descer de divisão. Tem três golos de vantagem sobre adversário que joga na II Liga.

O Tondela entra em campo (quarta-feira, 20.15, Sport TV2) com três golos de vantagem sobre o Mafra e um pé meio meio na final da Taça de Portugal. O triunfo (3-0) na primeira mão dá algum conforto à equipa beirã para fazer história e chegar ao Jamor, numa altura em que luta para não descer à II Liga - está em penúltimo com 25 pontos, mais um do que o último, o Belenenses SAD. A outra meia final é entre o FC Porto e o Sporting e joga-se na quinta-feira, no Estádio do Dragão.

"Não diria que este é o jogo da vida do Tondela, mas um dos seis jogos da vida do Tondela daqui até ao final da época. Garantir um lugar na final da Taça de Portugal será histórico, mas estando lá vamos lutar pelo troféu e esse poderá ser o jogo mais importante dos 88 anos do clube. Antes temos quatro jornadas da I Liga para garantir a manutenção. Ficar na I Liga é muito importante para o projeto do Tondela", resumiu ao DN, o presidente do clube, Gilberto Coimbra.

Com gestão espanhola desde 2018, quando o clube vendeu 80% da SAD ao Houpe Groupe, detentor de clubes como o Granada e Parma, por 6,2 milhões de euros, tem no ex-futebolista David Belenguer o líder do projeto do futebol profissional. Questionado sobre se a manutenção é mais importante que a presença no Jamor, no dia 22 de maio, Gilberto Coimbra respondeu que "a questão não se pode colocar assim, nem depende de crenças". Mas estando a 90 minutos de poder carimbar a presença na final, o líder do clube beirão não escondeu o orgulho que é ver os tondelenses tão perto do Jamor e destacou a faceta "democrática" da prova rainha, onde, com alguma sorte nos sorteios e competência dentro das quatro linhas, qualquer um pode sonhar, seja grande ou pequeno.

Ir ao Estádio Nacional será também um prémio para os adeptos e uma bandeira para a região de Viseu. Dizer que o Clube Desportivo do Tondela representa toda uma cidade não é exagero algum. Dos cerca de 26 mil habitantes, 3000 são sócios do clube, que tem um crocodilo como mascote (o beirão) e usa as cores (verde e amarelo) idênticas às do município. O ponto mais alto da história dos auriverdes até agora foi o título de campeão da II Liga em 2014-2015 que o promoveu ao convívio com os grandes do futebol português. Contabiliza agora sete épocas consecutivas na I Liga.

Quatro pequenos exemplos

Os chamados grandes têm dominado a prova rainha do futebol português desde que a Académica venceu a primeira edição em 1939. Desde então a prova só não se realizou por duas vezes (1947 e 1950) e só por 21 vezes o vencedor não foi o Benfica, o Sporting ou o FC Porto, que reúnem 60 dos 81 troféus. Se chegar à final, o Tondela terá assim de contrariar a história para repetir os feitos das outras quatro equipas de idêntica dimensão que já lograram erguer o troféu. Casos do Leixões (1961, após triunfo sobre o FC Porto), Estrela da Amadora (1990, após vencer o Farense), Beira Mar (1999, após vencer o Campomaiorense) e o Desp. Aves (2018, após vencer o Sporting).

A final de 1999 colocou frente a frente o Beira Mar, onde jogava Ricardo Sousa (atual treinador do Mafra e herói do jogo ao marcar o golo da vitória aveirense) e o Campomaiorense, onde jogava Nuno Campos (atual treinador do Tondela). Há contas a ajustar? "De forma alguma, tenho uma boa relação com o Ricardo (sorri). Relembrou-me uma situação em que atingi a final e perdi. Também já atingi a final, mas ganhei, enquanto treinador-adjunto [pelo Sp. Braga]. Penso que não há duas sem três e esta espero atingir novamente", respondeu ontem Nuno Campos, na antevisão do jogo de hoje com o Mafra da II Liga.

Para o treinador da equipa beirã, este "é um momento ímpar" na vida do clube: "Podemos colocar o Tondela, pela primeira vez, na final da Taça de Portugal. Os jogadores podem colocar o nome em letras douradas na história deste clube. [A história] pode não ficar por aqui, mas esta pode ser a primeira vez e eles têm a noção clara desse feito histórico que pode acontecer e têm de entrar em campo de forma a conseguirmos esse objetivo, que é comum a todos os adeptos, staff, Direção, jogadores, treinadores."

Ao Tondela cabe não dar "chances ao Mafra de acreditar que pode estar na final", que vai voltar a jogar-se no "emblemático" Jamor, após dois anos de ausência por causa da pandemia.

isaura.almeida@dn.pt

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