Jorge Jesus acusa Gil Vicente de antijogo: "Fez o que o árbitro permitiu"

Para o treinador benfiquista, o adversário "fez o que o árbitro permitiu". Depois moderou discurso na Sala de Imprensa. Ricardo Soares não gostou: "Sem autocarros, fomos dignos, sérios e merecemos respeito."

O Benfica foi este sábado derrotado no Estádio da Luz pelo Gil Vicente (1-2), na 27.ª jornada da I Liga. "Não estávamos à espera, é um resultado que nos atrasa nos nossos objetivos e na nossa recuperação", disse Jorge Jesus, depois de acusar o adversário de fazer antijogo e com a permissão do árbitro.

"O adversário foi crescendo, com muito antijogo, não é? Assim que ficou a ganhar, fez muito antijogo. O jogador com caimbras e o árbitro a parar o jogo. O jogo não tem de parar, só quando há choque de cabeças é que é obrigatório. Cada vez que está um jogador cansado temos de parar o jogo... Isso tirou intensidade ao nosso jogo. O Gil Vicente fez o que o árbitro permitiu", reagiu à BTV e ainda a quente o treinador das águias.

E continuou nas críticas, dando o exemplo do guarda-redes: "O keeper (guarda-redes) tirou dez minutos ao jogo e é só no último segundo que dão amarelos aos guarda-redes. Por isso somos o campeonato na Europa com menos jogo. É impossível haver mais tempo. O árbitro tem alguma culpa nestas suas decisões, mas não foi por aí que perdemos."

Questionado sobre isso, o técnico gilista disse não comentar "opiniões de colegas", embora a opinião dele seja totalmente diferente. "Não vi nenhuma situação disso. E seis minutos de descontos foi mais do que suficiente para aquilo que o jogo produziu. O Gil Vicente jogou olhos nos olhos, quis discutir o resultado sem autocarros, fomos dignos, sérios e merecemos respeito", pediu Ricardo Soares.

Já na sala de Imprensa, o discurso do técnico mudou um pouco de tom e já deu mais mérito ao adversário.

Para Jesus "houve dois Benficas" no jogo. O da primeira parte, que deixou o Gil Vicente "sair com alguma facilidade" e que o obrigou os encarnados "a correr muito mais para trás do que é habitual" e "conseguiu marcar". E o da segunda parte, "pressionante e a chegar com mais facilidade a zonas de finalização". Mas "sempre com um Gil Vicente bem organizado, poderoso no jogo aéreo e que jogou um futebol positivo".

Resumindo: "O Benfica não conseguiu dar a volta, nem ao resultado, nem à equipa do Gil Vicente."

Segundo o treinador, a derrota tirou "a sensação" de que não perdendo jogo nenhum poderiam "pensar noutros objetivos". "Esta derrota atrasou a recuperação, mas faltam ainda algumas jornadas para disputar muitos pontos. Estamos dependentes, temos de ir à procura da classificação que nos possa permitir passar para segundo classificado. Não é mandar a toalha ao chão, temos de ser práticos e não teóricos: esta derrota tirou-nos essa crença de ainda poder atingir outras posições", admitiu Jesus.

Para o treinador do Gil Vicente "houve muito mérito do Gil Vicente" na vitória e "às vezes não se dá, porque o Benfica é um colosso". O segredo esteve em jogadores que "trabalharam imenso durante a semana, que acreditaram numa filosofia e a interpretaram na perfeição", segundo Ricardo Soares, esperando garantir a manutenção o quanto antes: "Temos humildade suficiente para perceber que vamos ter de sofrer muito."

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