Sabia que Rui Patrício é mais eficaz a defender penáltis com o público contra?

Grupo de investigadores portugueses desenvolveu um algoritmo que acaba com o mito de que os penáltis são uma lotaria e que agora explora outros momentos do jogo. Por exemplo: o lado esquerdo da defesa é o mais vulnerável, seja com Raphael Guerreiro, seja com Mário Rui a titular.

Quando Cristiano Ronaldo coloca a bola na marca de penálti, o guarda-redes rival não pode saber para onde vai rematar. Ou será que pode? Sim, pode. Um grupo de investigadores portugueses desenvolveu um algoritmo que acaba com o mito de que os penáltis são uma lotaria e que agora explora outros momentos do jogo.

Um projeto de inteligência competitiva no desporto, a que deram o nome de Alphawin, e que já indicou várias conclusões acerca do encontro de estreia de Portugal no Mundial2018, com a Espanha. Por exemplo, David Silva é o jogador com mais influência no ataque espanhol, Iago o avançado mais letal e Nacho um defesa com muita influência nos golos.

Quanto a Portugal, o algoritmo ditou que o lado esquerdo da defesa é o mais vulnerável, seja com Raphael Guerreiro, seja com Mário Rui a titular.

No geral os valores de Portugal e Espanha são muito idênticos e antecipam um duelo muito equilibrado para o jogo de dia 15. Na defesa, a seleção nacional destaca-se nas "disputas de bola", 62% contra 59%. Além disso os defesa portugueses fazem mais cruzamentos e são muito mais rematadores, mas servem menos os avançados para golo.

Estes são apenas alguns dos resultados do estudo do Portugal-Espanha, em que foram analisadas mais de 12 801 variáveis e correlações. E a título de curiosidade, sempre que Portugal joga com a Espanha e utiliza o equipamento branco, perde. Fica a dica para Federação, a título de curiosidade.

Como funciona o algoritmo?

Trata-se de uma ferramenta com base científica, que permite auxiliar jogadores e treinadores a explorar farquesas dos adversários e potenciar os seus pontos fortes. "A estatística descritiva é mais usada, mas não contabiliza o índice comportamental. O Alphawin diferencia-se por estabelecer algumas correlações. Ou seja, nós fazemos um levantamento de variáveis e correlacionamo-las e ao fazer isso vamos ter determinadas tendências ao nível da eficácia", explicou ao DN Alexandre Real, um dos mentores do projeto.

A ideia surgiu durante o Europeu de 2016, quando Alexandre Real, especialista em liderança e gestão de equipas, colaborava com um programa da TSF, durante o jogo dos quartos de final entre Portugal e a Polónia, que a seleção ganhou nos penáltis, eu comecei a perguntar aos jogadores presentes como de treinavam os penálties... e a resposta foi "desde, o 'escolho à sorte', ao 'decido na hora'" .

Foi aí que contatou o Pedro Zorro (coordenador da área técnica) e o João Fialho (coordenador científico) e mais tarde Rodrigo Silva (Pesquisa técnica e coordenação na recolha de dados) e começaram a testar o algoritmo... tendo como base a marca dos 11 metros. Reuniram milhares de visualizações de lançamentos de penáltis numa base de dados para criar um algoritmo que permitisse adivinhar ou antecipar o comportamento dos jogadores na marcação de penálties.

O algoritmo foi alargado e melhorado e tem ainda em conta as variáveis comportamentais são englobadas. Um exemplo, Rui Patrício é muito mais eficaz a defender grandes penalidades quando têm o público adversário por trás da baliza do que quando tem o seu próprio público.

Claro que "o algoritmo tem sempre associado uma margem de erro que depende do jogador e do contexto da jogada", mas "há sempre um conjunto de vícios que todos os jogadores têm conforme o lado para onde atiram o penálti".

Alexandre Real admite que "há alguma desconfiança" dos profissionais e não é fácil convencer jogadores e treinadores da importância da matemática no futebol. Mas a desconfiança diminuiu quando obtiveram 100% de eficácia na antevisão das grandes penalidades do Portugal-Chile da Taça confederações em 2017.

Os resultados permitiram sair da análise das grandes penalidades e

O projeto vai ser lançado na quinta-feira, mas já há alguns clientes interessados, "Incluindo um treinador da I Liga, dois clubes alemães, um clube francês".

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