O estudo que podia ajudar a reescrever a história do Portugal-Chile

Há um algoritmo que auxilia jogadores e guarda-redes nas grandes penalidades. Especialista/coordenador de estudo explica.

Vidal a marcar para o lado esquerdo e Rui Patrício a lançar-se para a direita. Cláudio Bravo a brilhar nos penáltis (defendeu os remates de Quaresma, Moutinho e Nani) e a impedir Portugal de chegar à final da Taça das Confederações. Este foi um cenário antecipado por um grupo de estudo, liderado por Alexandre Real, sobre grandes penalidades. "Ficou provado que os penáltis tem mais de ciência do que sorte ou a chamada lotaria. Ficou demonstrado que o conjunto de variáveis e correlações que contribuem para a construção de um algoritmo inovador ajuda a antecipar cenários e ser mais assertivo a marcar ou a defender um penálti", explicou ao DN o coordenador geral do projeto que, ontem, correu mundo e pretende contrariar a tese de que os penáltis são uma lotaria.

Para Alexandre Real, os jogadores portugueses denunciaram para onde iam rematar e deram uma ajuda vital ao guarda-redes Cláudio Bravo, que defendeu todos: "Com base no estudo, tendo em conta que antecipamos os cenários das grandes penalidades, defendemos que foi mais incompetência na marcação dos portugueses, do que competência de Bravo."

Mas como se pode avaliar isso? "Há sempre um conjunto de tiques ou vícios que os jogadores têm antes de rematarem para um lado ou para o outro. Por exemplo, há um jogador do Chile, Vidal, que faz sempre o mesmo tipo de simulação quando vai atirar para a direita e outra quando vai atirar para o lado esquerdo. Sabendo disso o guarda-redes tem uma informação preciosa e só tem de a saber para a usar", referiu Alexandre Real.

Ronaldo mais eficaz que Messi

Este grupo de estudo, criado em 2016, começou por construir uma base de dados com um conjunto de variáveis e assim criar um modelo matemático que permite identificar e validar características/atitudes dos jogadores/guarda-redes, no momento em que a grande penalidade é batida, que tenham influência no resultado final.

Foi assim que a equipa de investigação (Alexandre Real, João Fialho, Pedro Zorro, Rodrigo Silva, João Correia e Guilherme Talefe) chegou à conclusão de que CR7 é mais eficaz do que Messi na concretização de grandes penalidades, por exemplo. Analisaram 109 penáltis de Ronaldo e chegaram à conclusão de que ele acerta 83% dos castigos máximos: 89% quando remata para a direita, 85 % quando atira para a esquerda e 58% quando bate para o meio da baliza.

"Cristiano Ronaldo tem uma excelente eficácia quando escolhe um dos lados e é o jogador da seleção que menos denuncia as grandes penalidades. Bravo teria mais dificuldade em adivinhar o lado para onde ele iria bater", argumentou Alexandre Real. Por tudo isto, CR7 devia ser o primeiro a marcar frente aos chilenos, tal como aconteceu, e com sucesso, no jogo com a Polónia no Euro 2016, por exemplo.

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