Fernando Santos: "Não gostamos de perder nem a feijões"

Portugal e Espanha medem, esta sexta-feira, forças em Madrid para prepararem o Euro 2020. Apesar disso, o selecionador nacional quer a equipa a jogar aquilo que sabe.

Um Espanha-Portugal nunca será apenas um amigável e o desta sexta-feira (18.30, RTP1) muito menos. Pode até ser um jogo a feijões, como se diz na gíria quando se trata de um jogo particular, mas este duelo ibérico vai servir para medir o pulso de ambas as seleções antes do Euro 2020, que começa no dia 11. Além disso, será também a montra de lançamento conjunto da organização ao Mundial 2030.

Certo é que, neste jogo, o resultado é o que menos importa. "É claro que não queremos perder, mas não podemos atribuir essa carga ao resultado. Vamos fazer tudo para ganhar e acho que podemos ganhar. Não gostamos de perder nem a feijões", disse, ontem, Fernando Santos, lembrando que se a "Espanha gosta de ter posse de bola, Portugal também".

"Não podemos dizer que Portugal tem de ganhar o Europeu e depois dizer que a Espanha é muito forte e, por isso, temos de jogar a defender. Temos de jogar como sabemos, com a qualidade toda que temos. Vamos jogar com a Espanha para defender? Se assim for, não podemos ter ambição nenhuma. Podemos não ganhar o Europeu, mas eu acredito que podemos ganhar. Não podemos achar que Portugal tem medo de jogar contra equipas como a França e a Alemanha. Isso é não acreditar que a seleção tem condições para jogar olhos nos olhos com a Espanha e com as grandes seleções", sublinhou o selecionador.

Fernando Santos, que lidera a seleção desde 2014 e que em 2016 a levou à conquista do Europeu, voltou a lembrar que esta é "sem dúvida" uma seleção muito diferente da que venceu há cinco anos. "O que não mudou foi a qualidade. O que mudou foram as características dos jogadores. Temos a mesma forma de jogar, a mesma ideia de jogo, mas as características dos jogadores mudam as coisas. Se quiséssemos comparar, esta seleção é mais parecida com a de 2019, na Liga das Nações, do que com a de 2016", resumiu o técnico.

Para o selecionador nacional, o Campeonato da Europa deste ano é "anormal", no sentido em que não há um anfitrião, mas sim onze. "Nunca aconteceu. Disputas um Campeonato da Europa e um Campeonato do Mundo num país e há um anfitrião. Neste caso há 11 equipas que jogam em casa, com o seu público, com todas as questões climatéricas... Não temos de fugir a essa realidade", admitiu um resignado Fernando Santos.

João Moutinho foi integrado no treino de ontem e está livre para ser utilizado, assim como Pedro Gonçalves, que se pode estrear pela equipa nacional. Já João Cancelo, Rúben Dias e Bernardo Silva só se apresentarão ao trabalho no sábado e são ausências certas para o duelo com a Espanha, tal como Gonçalo Guedes, que se mantém em isolamento, após ter tido um teste positivo à covid-19. A seleção tem agendado outro particular de preparação para o Euro 2020, diante de Israel, no Estádio José Alvalade, em Lisboa, a 9 de junho, véspera da partida para Budapeste, onde inicia a participação no Campeonato da Europa, frente à Hungria, no dia 15.

Público e Mundial2030

A rivalidade histórica entre Portugal e Espanha é como a rivalidade entre dois irmãos ou vizinhos. Vem do berço. Foi frente a Espanha que Portugal se estreou enquanto seleção a 18 de dezembro de 1921, num jogo que acabou 3-1 a favor dos espanhóis. De lá para cá muita coisa mudou. O valor futebolístico de Portugal é hoje em dia igual ou superior.

A partida de hoje no Wanda Metropolitano, em Madrid, vai contar com 15 mil espectadores nas bancadas. Antes do encontro, os chefes de Estado dos dois países - o Rei Felipe VI e Marcelo Rebelo de Sousa -, os chefes de Governo - António Costa e Pedro Sánchez - e os presidentes das respetivas federações (Fernando Gomes e Luís Rubiales) vão estar presentes na cerimónia que oficializará a apresentação da candidatura ibérica ao Mundial de 2030. A escolha será decidida em 2024.

isaura.almeida@dn.pt

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