FC Porto repetiu show e deixou Benfica a sete pontos da liderança

Equipa de Sérgio Conceição venceu os encarnados na estreia de Veríssimo (3-1), com golos de Fábio Vieira, Pepê e Taremi. Jogo da 16.ª jornada da I Liga confirma crise das águias.

Um Porto intenso e seguro para acabar o Ano! Uma semana depois de eliminarem o Benfica da Taça de Portugal, os dragões repetiram o show de superioridade e voltaram a vencer, desta vez para o campeonato (3-1), deixando o eterno rival mergulhado numa crise e a sete pontos da liderança da I Liga, que reparte com o Sporting. Sérgio Conceição venceu o Benfica pela oitava vez em 13 jogos de dragão ao peito.

Como esperado Nélson Veríssimo abandonou o esquema de três centrais do proscrito Jesus e apostou no tradicional 4x4x2 , com André Almeida como lateral esquerdo e Gilberto no lado direito. Na frente Gonçalo Ramos ao lado de Yaremchuk uma vez que Darwin não recuperou do pisão sofrido no clássico de há uma semana. Já Sérgio Conceição regressou ao banco após 15 dias de castigo e foi fiel ao habitual 4x4x2, com Pepê e Fábio Vieira como as grandes novidades (e heróis do jogo). Foi desta forma que deu criatividade ao jogo portista face à ausência do maior criativo de todos, Luis Díaz (com covid-19).

Tal como no jogo da Taça de Portugal o FC Porto entrou fortíssimo no jogo, embora menos eficaz. Pepê obrigou Vlachodimos a aplicar-se logo aos três minutos e Fábio Vieira ficou perto de um golaço a 30 metros aos cinco minutos. Por esta altura, na semana passada, o Benfica já perdia por dois. A diferença estava na atitude da equipa encarnada, muito mais pressionante sobre a bola do que há uma semana e também com mais consistência defensiva.

Exemplo disso mesmo foi a forma como evitaram o golo de Taremi após uma grande jogada de Pepê aos 19 minutos. André Almeida fez um corte fenomenal e festejou como se de um golo se tratasse. A raça do capitão não deu o alento esperado aos colegas e logo depois viu Pepê meter a bola na baliza - o lance foi anulado por fora de jogo de oito centímetros.

Sérgio estava certamente satisfeito com o que via em campo, mas ainda antes da meia hora teve de mexer na equipa por culpa da lesão de João Mário. Entrou Manafá. Nesta fase o jogo estava numa velocidade alucinante com saída rápidas para o ataque e bolas colocadas nas costas das defesas. Foi num desses lances que Rafa serviu exemplarmente Yarenchuck para testar os reflexos de Diogo Costa, que ontem voltou à baliza. E foi em resposta a este lance que o FC Porto se adiantou. Ou melhor ... marcou dois golos em três minutos. Fábio Vieira e Pepê, os dois estreantes em clássicos marcaram e ainda esperaram pelo VAR para poderem festejar. Há 60 anos que dois portistas não se estreavam em jogos com o grande rival com golos - em 1961 aconteceu com Azumir e Jaime.

O Benfica não sabia lidar com o lado mais imprevisível deste FC Porto. Em ambos os lances de golo a defesa das águias comprometeu. Se Vlachodimos sofreu um golo por baixo das pernas a defesa abriu um buraco para Pepê entrar e ser servido por Otávio (talvez o melhor em campo). Tudo fácil. E se jogo começou com um equilíbrio visível ao intervalo os dragões já venciam por 2-0 e dominavam por completo.

Do quase empate do Benfica nasceu o 3-1 de Taremi

Os dois golos de vantagem ao intervalo davam tranquilidade à equipa de Sérgio Conceição para o segundo tempo. Não só pelo resultado, mas porque sempre que foi para os balneário a vencer por 2-0, o dragão saiu vencedor do clássico. Com a história a favor, Conceição voltou com os mesmos. Veríssimo também não mexeu e foi feliz. A equipa aproveitou o adormecimento do FC Porto e reduziu num lance já antes visto, com Rafa a encontrar Yaremchuk na área.

Estava dado o sinal de reação. Puro engano. Logo depois o Benfica ficou reduzido a dez jogadores por expulsão do capitão. André Almeida saiu a bater no símbolo do clube da Luz e incendiou as bancadas com mais de 46 mil adeptos. Se no jogo de há uma semana os portistas jogaram a segunda parte toda em inferioridade, ontem foram as águias a jogar com menos um a segunda parte quase toda.

Pedia-se paciência ao FC Porto e Sérgio via-se forçado a mexer novamente na equipa e na mesma posição. Manafá que tinha entrado para o lugar do lesionado João Mário saiu também eles de maca e foi substituído por um Corona longe do seu melhor. Do lado encarnado, Veríssimo sacrificou o avançado ucraniano para dar de novo um lateral à equipa (Valentino Lázaro) e mesmo reduzido a dez esteve perto do empate. Aos 63 minutos Zaidu substituiu Diogo Costa na baliza e impediu o golo de Gonçalo Ramos (mais uma vez após uma jogada rápida de transição de Rafa). Estranhou-se por isso que Veríssimo tenha tirado Rafa para fazer entrar Pizzi (e Taarabt e Seferovic).

Mas o FC Porto não estava para facilitar. Pepê esteve perto de bisar, mas foi Taremi a dar conforto à equipa e acabar com uma seca de 12 jogos. Até ao fim do jogo, o resultado não se alterou e o Benfica voltou a perder em casa do grande rival, mostrando que Veríssimo tem muito trabalho pela frente para devolver a confiança a uma equipa órfã de modelo e de líder. E podia ter sido pior, se Otávio tem acertado na baliza quando se isolou no último lance do jogo.

Veja os golos

1-0 Fábio Vieira (FC Porto)

2-0 Pepê (FC Porto)

2-1 Yaremchuk (Benfica)

3-1 Taremi (FC Porto)

isaura.almeida@dn.pt

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