Estrela da Amadora. Estádio José Gomes vai a leilão por 2, 1 milhões

Contrato de arrendamento do Estrela da Amadora acaba a 30 de junho. A SAD já recorreu ao tribunal para evitar ser despejada.

O histórico Estádio José Gomes, bem como os campos de treino adjacentes e o edifício do bingo vão de novo a leilão a 30 de junho, dia em que termina o contrato de arrendamento ao Estrela da Amadora, que assim corre o risco de ficar sem casa. Segundo a leiloeira OneFix, a venda pode ser feita "à peça", numa segunda fase, se for "frustrada a venda na globalidade" no valor de 5, 1 milhões de euros. O campo onde Jorge Andrade deu os primeiros passos como profissional e onde Jorge Jesus e Fernando Santos estiveram em ação como treinadores, vai a leilão por 2, 1 milhões de euros, enquanto o terreno onde ficam os campos de treino e o edifício do Bingo custam 3 milhões.

Segundo a informação que consta no prospeto de venda, o contrato de arrendamento do Estrela da Amadora, no valor de cinco mil euros por mês, termina no dia 30 de junho. "Ficando aqueles sujeitos ao pagamento de sanção pecuniária compulsória no valor diário de 1.000,00€ caso não entreguem o estádio até ao último dia útil do mês de junho de 2022", pode ler-se no documento.

Como o contrato não será renovado até lá, a SAD agora presidida por Paulo Lopo terá de pagar uma multa de mil euros por dia, a contar dessa data, caso não liberte as instalações. Segundo o DN apurou, para evitar serem despejados ou multados, o Estrela apresentou um requerimento no Tribunal de Sintra, com uma longa exposição sobre a pretensão em continuar a utilizar as instalações. Na próxima semana o clube decidirá se avança com uma proposta de aquisição, mas até lá esperam ver clarificada a data do leilão e saber que desfecho terá o pedido de afastamento do administrador judicial responsável pelo leilão, feito por um credor a título individual.

À venda desde 2019

Situado em zona de habitação e comércio da Reboleira (Amadora), o complexo desportivo do Estádio José Gomes está protegido de interesses imobiliários por um Plano Diretor Municipal (PDM) que impede a construção. Serve apenas para exploração desportiva.

A primeira vez que a leiloeira levou o recinto a leilão foi em 2019, pelo valor e seis milhões de euros. Na altura houve duas propostas mas ambas inferiores ao valor de licitação, por isso o valor do espaço foi diminuído para 5,1 milhões de euros. Montante que se manteve no leilão de abril do ano passado, envolto em polémica, com o administrador da insolvência e a administração da SAD do Estrela da Amadora com posições diferentes sobre uma oferta que foi feita.

O Estrela da Amadora faliu em 2009, considerado insolvente em 2010 e extinto em 2011, depois de descer de divisão na secretaria devido a problemas financeiros, com dívidas a fornecedores, funcionários, jogadores, às Finanças e à Segurança Social no valor de 36, 8 milhões de euros. Um imbróglio que ainda hoje se mantém.

Já este ano, depois de refundado e fundido com o Sintra Football, passou a chamar-se Club Football Estrela da Amadora SAD, tendo a equipa terminado a II Liga em 14.º lugar. Uma época aquém do esperado, que levou a mexidas profundas na equipa e na estrutura da SAD, mas a turbulência promete continuar.

isaura.almeida@dn.pt

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